Antibióticos: efeitos adversos são bem mais complexos

Estudo publicado na revista “Gut”

13 fevereiro 2015
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O impacto da toma prolongada de antibióticos é maior e mais complexo do que o pensado, dá conta um estudo publicado na revista “Gut”.
 

O consumo de antibióticos é algo generalizado, uma vez que cerca de 40% dos adultos e 70% das crianças toma-os pelo menos uma vez por ano. Quando utilizados corretamente, os antibióticos eliminam infeções potencialmente letais. Contudo, um em cada dez indivíduos apresenta efeitos adversos.
 

Os investigadores estão a começar a descobrir que os antibióticos, especialmente quando tomados em excesso, estão associados a uma vasta gama de problemas que afetam nomeadamente o metabolismo da glucose, o sistema imunológico, a digestão de alimentos e o comportamento.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade do estado de Oregon, nos EUA, decidiram analisar os efeitos de quatro antibióticos habitualmente utilizados em animais de laboratório. Estudos anteriores tinham indicado que os antibióticos apenas matavam as bactérias residentes nos intestinos e bloqueavam algumas funções imunológicas. Contudo, os investigadores verificaram que estes também destroem as células do epitélio intestinal.
 

O epitélio intestinal é uma camada de células especializadas que reveste o intestino e ajuda a absorver água, glucose e nutrientes essenciais para a corrente sanguínea. Este funciona também como barreira entre o resto do organismo e as colónias bacterianas que habitam o intestino. O epitélio é rico em células do sistema imunológico que coabitam com triliões de bactérias intestinais, com quem estabelecem um diálogo constante de forma a manterem uma equilíbrio delicado.
 

O estudo apurou também que os antibióticos afetam um gene que é crítico para a comunicação entre as células do hospedeiro e as bactérias intestinais. A falta de comunicação entre estes dois intervenientes pode não só alterar a digestão, como causar diarreia e colite ulcerativa. Este novo estudo sugere que esta quebra de comunicação pode também afetar a função imune, obesidade, absorção dos alimentos, depressão, sepsis, asma e alergias.
 

Os investigadores constaram ainda que os antibióticos e as bactérias que desenvolveram resistência a estes conduziam a alterações significativas na mitocôndria, o que levou a mais mortes das células epiteliais. Este organelo celular desempenha um papel importante na sinalização celular, crescimento e produção de energia. Deste modo, o funcionamento adequado da mitocôndria é importante para a manutenção da saúde.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados apoiam a noção de que matar as bactérias prejudiciais com antibiótico não é talvez a melhor forma de lidar com a infeção, tendo em conta a lista cada vez maior de efeitos colaterais e problemas causados. Dessa forma, os investigadores sugerem que fortificar as bactérias saudáveis de forma a elas competirem com as bactérias prejudiciais pode ser uma melhor abordagem.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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