Antibióticos aumentam risco de diabetes tipo 1?

Estudo publicado na revista “Nature Biology”

25 agosto 2016
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Os antibióticos utilizados nas crianças podem alterar a flora intestinal e aumentar o risco de desenvolvimento da diabetes tipo 1, sugere um estudo publicado na revista “Nature Biology”.
 

Na diabetes tipo 1, diagnosticada frequentemente nas crianças, o sistema imunitário destrói erradamente um tipo de células específico do pâncreas, os ilhéus de Langerhans, que produzem insulina. Sem esta hormona, os pacientes não são capazes de controlar eficazmente os níveis de glucose no sangue e estes acumulam-se e danificam as células nervosas e os vasos sanguíneos.
 

Por razões ainda desconhecidas, o número de casos da diabetes tipo 1 tem aumentado. Alguns investigadores acreditam que este aumento envolve a interação entre os antibióticos e as bactérias intestinais. Os microrganismos que habitam o intestino, o microbioma, têm evoluído com a humanidade e são indispensáveis para um correto funcionamento do organismo.
 

Tem sido sugerido que a flora intestinal ajuda a treinar o sistema imunológico em desenvolvimento a não se tornar tão sensível e a não atacar, por isso, o próprio organismo. Na opinião dos investigadores da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, os antibióticos podem interferir com esta educação.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Martin J. Blaser, decidiram averiguar os efeitos dos antibióticos no desenvolvimento da flora intestinal em ratinhos não obesos diabéticos (NOD) que são suscetíveis a desenvolver diabetes tipo 1. Foram testadas doses baixas de antibióticos similares às utilizadas para tratar muitas infeções nas crianças.
 

O estudo apurou que 53% dos ratinhos NOD expostos aos antibióticos desenvolveram diabetes tipo 1, comparativamente com os 26% dos animais que não tomaram antibióticos.
 

Com o intuito de determinar os efeitos dos antibióticos, foram recolhidas amostras de bactérias intestinais de todos os ratinhos. Verificou-se que nos ratinhos com três meses de idade, ocorreu uma perda quase completa de bactérias que ajudam a treinar o sistema imunitário. Os investigadores constataram que a diversidade da flora dos ratinhos tratados com antibióticos era reduzida quando comparada com a dos animais de controlo.
 

De forma a verificar se a população microbiana poderia, por si só, ter efeitos imunobiológicos, os investigadores transferiram as bactérias intestinais dos ratinhos tratados com antibióticos para animais sem microbioma. Fora observadas alterações semelhantes nos dois grupos de animais, o que sugere que as bactérias intestinais podem, por si só, produzir alterações significativas no desenvolvimento do sistema imunitário.

 

Jessica Dunne, uma das autoras do estudo, conclui que este é primeiro estudo a demonstrar que os antibióticos podem alterar o microbioma e ter efeitos no desenvolvimento imunológico e metabólico, resultando na autoimunidade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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