Antibióticos associados a obesidade na pequena infância

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

06 outubro 2014
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A utilização de antibióticos de largo espetro por bebés com menos de dois anos de idade está associada a um risco acrescido de obesidade numa etapa mais tardia, atesta um novo estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 

De acordo com a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, 29% das crianças portuguesas entre os 2 e os 5 anos de idade apresentam excesso de peso e 12,5% são obesas
 

A obesidade na pequena infância pode ser influenciada por fatores como o Índice de Massa Corporal (IMC) materno antes da gravidez, dieta, atividade física, quantidade de horas de sono e tempo passado em frente à TV ou videojogos.
 

Segundo o estudo, conduzido pelo Hospital Pediátrico de Philadelphia, EUA, existem colónias de bactérias no trato digestivo que poderão igualmente influenciar a obesidade na idade pré-escolar. A colonização dos nossos intestinos por bactérias é iniciada a partir do momento do nascimento, sendo que bactérias intestinais diferentes poderão afetar o desenvolvimento do portador de forma diversa.
 

É sabido que os antibióticos podem influenciar a composição das colónias bacterianas presentes no trato digestivo.  
 

Para o estudo, os autores analisaram os processos clínicos eletrónicos de 64.580 crianças dos EUA, que tinham tido consultas em centros de saúde. As crianças foram seguidas até aos cinco anos de idade. 69% das crianças tinham tomado uma média de 2,3 antibióticos antes dos 24 meses de idade.
 

Foi apurado que as crianças que tinham sido expostas a antibióticos apresentavam um risco maior de obesidade, sendo este risco acrescido nas crianças que tinham tomado antibióticos quatro ou mais vezes.
 

Esta associação entre o consumo de antibióticos e a obesidade na pequena infância foi encontrada relativamente a antibióticos de largo espetro, usados para o tratamento de uma maior diversidade de problemas. Não foi encontrada associação entre a obesidade naquela faixa etária e os antibióticos ação mais específica.
 

A prevalência da obesidade entre as crianças que participaram no estudo foi a seguinte: aos 2 anos de idade, 23% tinham excesso de peso e 10% eram obesas; aos 3 anos de idade, 30% tinham excesso de peso, sendo 14% obesas; aos 4 anos de idade 33% registavam excesso de peso, sendo 15% obesas.
 

Um dos autores do estudo comenta que “isto proporciona suporte adicional para a adoção de linhas de tratamento para doenças pediátricas infantis, as quais incidem sobre a limitação do uso dos antibióticos só para os casos em que a eficácia destes seja evidente e dando preferência para fármacos de pequeno espetro…”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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