Antibióticos antes dos dois anos aumentam risco de obesidade

Estudo publicado na revista “Gastroenterology”

28 março 2016
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A administração de três ou mais cursos de antibióticos antes dos dois anos está associada a um aumento do risco de as crianças desenvolverem obesidade na infância, dá conta um estudo publicado na revista “Gastroenterology”.
 

Há muito que os antibióticos são utilizados para promover o aumento do peso nos animais. Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade do Colorado, nos EUA, vem confirmar que os antibióticos têm o mesmo efeito nos seres humanos.
 

“Estes resultados não significam que não se deva utilizar antibióticos quando são necessários, mas incentivam os médicos e os pais a pensar duas vezes no uso de antibióticos em crianças na ausência de indicações bem estabelecidas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Frank Irving Scott.
 

Para o estudo contaram com a participação de 21.714 crianças para avaliar a associação entre a exposição a antibióticos antes dos dois anos e obesidade aos quatro anos. Verificou-se que as crianças que tinham sido expostas a antibióticos apresentavam um aumento de 1,2% e de 25 % no risco absoluto e relativo de desenvolverem obesidade infantil. O risco foi maior quando foram consideradas exposições repetidas aos antibióticos, particularmente três ou mais cursos.
 

Na opinião do investigador, este estudo apoia a teoria de que os antibióticos podem alterar progressivamente a composição e a função da flora intestinal, predispondo consequentemente as crianças para a obesidade, tal como acontece nos animais.
 

Estima-se que, anualmente, sejam prescritos antibióticos em 49 milhões de consultas pediátricas de ambulatório nos EUA. Contudo, uma grande proporção destas prescrições, mais de 10 milhões por ano, são dadas a crianças que não apresentam indicação clara para tal. Isto acontece apesar de haver um aumento da consciência dos riscos sociais da resistência aos antibióticos, bem como outros riscos, nomeadamente problemas dermatológicos, alergias, complicações resultantes das infeções, doença inflamatória dos intestinos e condições autoimunes.
 

Na opinião dos investigadores são necessários mais estudos para averiguar se estes achados permanecem na adolescência bem como no início da idade adulta e se existem classes específicas de antibióticos que estejam mais fortemente associadas à obesidade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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