Antibióticos afetam desenvolvimento da flora intestinal

Estudo publicado na revista “Nature Communications”

29 janeiro 2016
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A toma de antibióticos no início da infância interfere com o desenvolvimento normal da flora intestinal. O estudo publicado na revista “Nature Communications” refere que os antibióticos de amplo espetro, habitualmente utilizados no tratamento de infeções respiratórias têm efeitos adversos, podendo contribuir também para o desenvolvimento de estirpes resistentes aos antibióticos.
 
Estudos anteriores já tinham indicado que a toma de antibióticos no início da infância estava associada a um aumento do risco de doenças autoimunes, como a doença inflamatória do intestino, asma, assim como a obesidade. Acredita-se que este efeito é mediado pelos microrganismos intestinais, uma vez que se verificou, em estudos em animais, que os antibióticos alteravam a composição da flora intestinal e reduziam a biodiversidade. Contudo, até à data ainda não existia informação sobre os efeitos a longo prazo dos antibióticos na flora intestinal das crianças.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, contaram com a participação de 142 crianças, com idades compreendidas entre os dois e os sete anos. Foram analisados o número de ciclos de antibióticos que as crianças receberam ao logo da sua vida e como a sua toma se refletia na flora intestinal. Adicionalmente foi investigada a associação entre a toma de antibióticos, a asma, e o índice de massa corporal.
 
O estudo apurou que a composição da flora intestinal refletia claramente a utilização de antibióticos. Verificou-se que os antibióticos reduziam a riqueza das espécies bacterianas e abrandava o desenvolvimento de flora intestinal impulsionada pela idade. Particularmente, a flora das crianças que tinham tomado macrolídeos, como a azitromicina ou a claritromicina, nos dois anos anteriores diferia da flora normal. Quanto menos tempo tinha passado desde da toma deste tipo de antibióticos maiores eram as anomalias na flora intestinal.
 
“Ao que parece a recuperação da flora intestinal após a toma de macrolídeos demora mais de um ano. Se a crianças forem repetidamente submetidas a múltiplos ciclos de antibióticos nos primeiros anos de vida, a flora pode não ter tempo de recuperar completamente”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Katri Korpela.
 
A toma de macrolídeos foi associada a características da flora intestinal que já tinham sido previamente associadas à obesidade e doenças metabólicas. A toma deste tipo de antibióticos nos primeiros dois anos de vida também conduziu a um aumento do índice de massa corporal e risco de asma anos mais tarde.
 
Os macrolídeos também parecem promover o desenvolvimento da resistência aos antibióticos, uma vez que a resistência a estes antibióticos estava elevada na flora intestinal das crianças que os tinha tomado.
 
Na opinião dos investigadores, liderados por Willem de Vos, estes resultados apoiam as recomendações de evitar a toma de macrolídeos como tratamento primário e de restringir a toma de antibióticos para situações estritamente necessárias.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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