Antibiótico trava doença neurodegenerativa em ratinhos
09 maio 2002
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Um antibiótico usado há mais de trinta anos revelou-se capaz de abrandar a progressão da doença de Lou Gehrig em ratinhos, o que sugere a possibilidade de novas abordagens médicas no tratamento desta patologia.
 

 

A doença, formalmente conhecida como esclerose lateral amiotrófica ou ALS, ataca as células nervosas que controlam os movimentos.
 

 

à medida que essas células se vão degenerando, a pessoa afectada pela doença fica progressivamente paralisada. A maioria dos casos surge entre os 40 e os 70 anos de idade, e os doentes morrem em média quatro anos após o aparecimento dos sintomas.
 

 

Um comum antibiótico, a minociclina, revelou-se recentemente capaz de prolongar a vida de ratinhos afectados com uma versão da doença de Huntington, uma desordem também neurodegenerativa.
 

 

A sua eficácia no tratamento desta patologia está actualmente a ser testada em humanos.
 

 

A minociclina é utilizada como antibiótico em pessoas há mais de 30 anos, sendo bastante segura, mesmo quando é tomada durante longos períodos de tempo, explicou Robert Friedlander, do Hospital Brigham and Women, em Boston, e autor sénior do novo estudo sobre esta matéria.
 

 

O estudo mereceu publicação na edição de 02 de Maio da revista Nature, onde se descrevia o procedimento dos investigadores que estudaram ratinhos afectados com uma versão de ALS criada através de mutações genéticas.
 

 

Injecções diárias de minociclina atrasaram o aparecimento da doença e prolongaram a vida dos ratinhos, que, quando tratados, viveram 137 dias.
 

 

Os ratinhos não tratados com o antibiótico apenas resistiram 126 dias.
 

 

Neste caso, o efeito do medicamento não tem nada a ver com a sua capacidade antibiótica. Os investigadores descobriram que o tratamento com minociclina reduz a produção de uma proteína existente nas células nervosas que pode conduzir à morte celular.
 

 

A descoberta poderá ajudar na investigação de medicamentos mais poderosos e eficazes, dizem.
 

 

Friedlander acredita que a minociclina ou fármacos similares poderão fazer eventualmente parte de um cocktail de medicamentos usados no tratamento da ALS.
 

 

A minociclina parece prometedora como potencial tratamento para a ALS, admitiu por seu lado a Associação de Distrofia Muscular (MDA).
 

 

Apesar de ter havido evidências anteriores de que seria eficaz, as novas descobertas suportam de forma mais directa esta ideia, disse Sharon Hesterlee, directora de investigação da MDA.
 

 

A investigação foi financiada pelo Projecto ALS, o MDA, outros grupos e o governo federal.
 

 

Fonte: Lusa
 

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