Antibiótico já era usado há dois mil anos

Estudo publicado no “American Journal of Physical Anthropology”

12 setembro 2010
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As tetraciclinas podem ter sido descobertas muito antes de 1948. Análises químicas realizadas aos ossos de um povo que viveu no Núbia há quase dois mil anos mostram vestígios do antibiótico, sugere um estudo publicado no “American Journal of Physical Anthropology”.

 

A região do Núbia situa-se no vale do rio Nilo que actualmente é dividida pelo Egipto e pelo Sudão.

 

"Temos a tendência de associar os fármacos que curam doenças com a medicina moderna", apontou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, o bio-arqueólogo George Armelagos, da Emory University, nos EUA. Segundo o investigador, "é cada vez mais claro que essa população usava provas empíricas para o desenvolvimento de agentes terapêuticos. Não tenho nenhuma dúvida de que eles sabiam o que estavam a fazer."

 

Em 1980, foram descobertos vestígios de tetraciclinas em ossos humanos no Núbia, datados entre 350 e 550. Contudo, a primeira tetraciclina moderna foi descoberta em 1948.

 

A equipa de cientistas da Emory University já tinha relacionado a tetraciclina à cerveja local. O grão usado para fazer a papa fermentada continha bactérias do solo, as Streptomyces, que produzem a tetraciclina. A questão chave era saber se apenas alguns lotes da cerveja antiga continham tetraciclina, o que indicaria contaminação acidental por bactérias.

 

Este estudo recente foi mais longe ao integrar Mark Nelson, da Paratek Pharmaceuticals Inc e um dos maiores especialistas em antibióticos, na equipa de Armelagos. Através do seu conhecimento, o químico conseguiu extrair e analisar a tetraciclina presente nos ossos. "Os ossos desses povos antigos estavam saturados com tetraciclina, mostrando uma ingestão prolongada. Estou convencido de que este povo controlava bem a ciência da fermentação e conhecia o fármaco."

 

O especialista exemplifica o caso da tíbia e crânio de uma criança de quatro anos que continha tetraciclina, sugerindo que lhe tinham sido administradas doses elevadas desta substância para tentar curá-la de alguma doença.

 

Os antigos egípcios e jordanos já usavam a cerveja para tratar, por exemplo, doenças das gengivas. Armelagos acredita que a complexa arte de fermentação de antibióticos foi difundida nos tempos antigos e transmitida através das gerações.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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