Antiácidos podem aumentar risco de doença renal crónica

Estudo publicado no “JAMA Internal Medicine”

14 janeiro 2016
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Os inibidores da bomba de protões, fármacos que são habitualmente utilizados para reduzir a acidez do estômago, podem estar associados a um risco aumentado de doença renal crónica, sugere um estudo publicado no “JAMA Internal Medicine”.
 
Estudos observacionais anteriores já tinham associado a toma de inibidores da bomba de protões a efeitos colaterais graves. No entanto, os investigadores da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, referem que até à data ainda não tinham sido realizados estudos populacionais que tivessem analisado a associação entre toma deste tipo de fármacos e o risco de doença renal crónica.
 
Neste estudo, os investigadores, liderados por Morgan E. Grams, decidiram quantificar a associação entre a toma de inibidores da bomba de protões e a incidência de doença renal crónica na população geral. A utilização de inibidores da bomba de protões foi quantificada tendo por base os dados do estudo “Risco de Aterosclerose nas Comunidades” (ARIC, sigla em inglês) que incluiu a participação de 10.482 indivíduos os quais foram acompanhados ao longo de uma média de 14 anos. Para a análise foram também incluídos os dados da prescrição destes fármacos em ambulatório no Sistema de Saúde Geisinger, na Pensilvânia, onde 248.751 participantes foram acompanhados ao longo de uma média de seis anos.
 
No início do estudo, verificou-se que os indivíduos, dos dois grupos, que tomavam inibidores da bomba de protões eram mais propensos a terem um índice de massa corporal elevado, a tomarem antidepressivos, aspirina ou estatinas.
 
Os investigadores apuraram que no grupo ARIC ocorreram 56 eventos de doença renal crónica nos 322 indivíduos que tomavam inibidores da bomba de protões no início do estudo (14,2 por 1000 pessoas ano) e 1.382 eventos entre os 10.160 participantes que não tomavam este tipo de fármacos (10,7 por 1000 pessoas-ano). De acordo com a análise ajustada e não ajustada, a toma de inibidores da bomba de protões foi associada a um risco de incidência de doença renal crónica.
 
Em 10 anos, o risco absoluto de doença renal crónica, entre os 322 indivíduos que tomavam inibidores da bomba de protões no início do estudo foi de 11,8%, enquanto o risco para aqueles que não tomavam este tipo de fármacos foi de 8,5%.
 
No segundo grupo, ocorreram 1.921 eventos de doença renal crónica nos 16.900 indivíduos que tomavam inibidores da bomba de protões no início do estudo (20,1 por 1000 pessoas ano) e 28.226 eventos entre os 231.851 participantes que não tomavam este tipo de fármacos (18,3 por 1000 pessoas-ano). Tal como no grupo anterior a toma de inibidores da bomba de protões foi associada a um risco de incidência de doença renal crónica.
 
O risco absoluto de doença renal crónica, em 10 anos, entre os 16.900 indivíduos que tomavam inibidores da bomba de protões no início do estudo foi de 15,6%, enquanto o risco para aqueles que não tomavam este tipo de fármacos foi de 13,9%.
 
Os investigadores referem que este é um estudo observacional e por isso não fornece uma evidência de causalidade. “Contudo, uma relação causal entre a toma de inibidores da bomba de protões e a doença renal crónica pode ter um efeito considerável na saúde pública, dada a utilização generalizada deste tipo de fármacos”, concluíram os autores do estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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