Antiácidos: benéficos no cancro da cabeça e pescoço?

Estudo publicado na "Cancer Prevention Research”

04 dezembro 2014
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Os pacientes com cancro da cabeça e pescoço que tomavam antiácidos apresentaram uma taxa maior de sobrevivência, de acordo com os resultados de um estudo norte-americano.
 

Os pacientes com aqueles tipos de cancro que são submetidos a tratamento por quimioterapia ou radioterapia experienciam, frequentemente, refluxo ácido como efeito secundário.
 

Uma equipa de investigadores do centro de investigação oncológica da Universidade de Michigan teve como base para o estudo 569 pacientes que estavam a receber tratamento para cancro da cabeça e pescoço.
 

Mais de dois terços dos pacientes tomavam, após o diagnóstico e para reduzir o refluxo gástrico, um ou dois tipos de antiácidos: inibidores da bomba de protões e/ou bloqueadores dos recetores H2 da histamina.
 

Os pacientes que tomavam os antiácidos apresentavam uma maior sobrevivência em geral, do que aqueles que não tomavam aquele tipo de fármacos. Os efeitos eram mais elevados nos pacientes que tomavam inibidores da bomba de protões, com um risco de morte 45% menor em comparação com os doentes que não tomavam antiácidos. Nos doentes que tomavam bloqueadores dos recetores H2 da histamina aquela percentagem foi 33% menor do que os pacientes que não tomavam antiácidos.
 

Os investigadores não sabem exatamente a razão pela qual aqueles medicamentos afetam o cancro. No entanto, já iniciaram mais estudos para perceber os mecanismos envolvidos naquele fenómeno.
 

Silvana Papagerakis, autora principal do estudo e professora assistente de pesquisa de otorrinolaringologia naquela universidade, comenta que “suspeitávamos que aqueles medicamentos tinham, de alguma forma, um impacto favorável na sobrevivência dos pacientes. Isso levou-nos a rever a nosso considerável coorte de pacientes e a rastreá-los relativamente a medicamentos comuns, com enfoque nos antiácidos.”
 

“Atualmente os pacientes poderão tomar esta medicação de forma intermitente, consoante os seus sintomas de refluxo gástrico. Achamos que esta medicação pode também ser benéfica para travar a progressão do cancro. Talvez uma duração mais prolongada dos tratamentos tenha um efeito significativo para travar a progressão do cancro”, continua a investigadora.
 

Os investigadores gostariam de perceber também se o uso de antiácidos em pessoas com refluxo gástrico ou com lesões pré-cancerígenas poderá reduzir o risco de desenvolvimento do cancro da cabeça e pescoço.
 

“O que este estudo evidencia é que estes medicamentos poderão trazer mais benefícios para os pacientes para além de apenas controlarem efeitos secundários”, conclui a autora do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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