Antiácidos aumentam risco de enfarte agudo do miocárdio

Estudo publicado na revista “PLOS ONE”

15 junho 2015
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Os adultos que tomam inibidores da bomba de protões apresentam um risco 16 a 20% superior de terem um enfarte agudo do miocárdio, comparativamente com aqueles que não utilizam estes antiácidos comumente prescritos, defende um estudo publicado na revista “PLOS ONE”.
 

Por outro lado, os investigadores da Universidade de Standford, nos EUA, também constataram que um outro tipo de antiácido - os bloqueadores H2 - não aumentava o risco de enfarte agudo do miocárdio.  
 

Os inibidores da bomba de protões, nomeadamente o omeprazole, são frequentemente prescritos para tratar várias condições, incluindo doença do refluxo gastroesofágico e infeções provocadas pela bactéria Helicobacter pylori.
 

Os especialistas acreditavam inicialmente que o uso de inibidores da bomba de protões era apenas arriscado para os pacientes com doença arterial coronária que também tomavam um fármaco antiplaquetário. Pensava-se que o risco era causado pela interação dos fármacos. Estudos mais recentes indicaram, no entanto, que o risco pode se estender a outras situações.
 

"O nosso trabalho anterior constatou que os inibidores da bomba de protões podiam afetar negativamente o endotélio, o revestimento interno dos vasos sanguíneos. Esta observação levou-nos a colocar a hipótese de que qualquer pessoa que tome este tipo de fármacos está em maior risco de enfarte agudo do miocárdio”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, John Cooke.
 

Para o estudo, os investigadores recolheram dados de 16 milhões de documentos clínicos de cerca de 2,9 milhões de pacientes. Após terem extraído informação de pacientes a quem tinham sido prescritos inibidores da bomba de protões ou outros fármacos similares, como os bloqueadores H2, os investigadores analisaram se os pacientes tinham sido alvo de algum evento cardiovascular, como o enfarte agudo do miocárdio.
 

O estudo apurou que os pacientes a quem tinham sido prescritos inibidores da bomba de protões para o refluxo ácido e que não tinham antecedentes de doença cardíaca apresentavam, comparativamente com a população em geral, um risco elevado de enfarte agudo do miocárdio. O mesmo não se verificou com a toma de bloqueadores H2.
 

Uma vez que os dados de observação utilizados no estudo podem ter sido influenciados por vários fatores, os investigadores esperam realizar um ensaio aleatório e de maiores dimensões para confirmar se os inibidores da bomba de protões são prejudiciais para uma população mais ampla de doentes.
 

"O estudo levanta preocupações de que estes fármacos, de venda livre e dos mais comumente prescritos no mundo, podem não ser tão seguros como tínhamos previamente assumido", conclui o autor Nicholas J. Leeper.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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