Anti-retroviral para a sida provoca envelhecimento precoce

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

30 junho 2011
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Uma classe de anti-retrovirais usados no tratamento do VIH (vírus causador da sida), especialmente em África e em países menos desenvolvidos, pode provocar envelhecimento precoce, aponta um estudo realizado por cientistas da Fundação Wellcome Trust, Reino Unido, publicado na revista “Nature Genetics”.

 

O estudo mostra que estes anti-retrovirais danificam o ADN nas mitocôndrias dos pacientes, facto que pode ajudar a explicar por que as pessoas infectadas pelo VIH em tratamento com anti-retrovirais, por vezes, mostram sintomas relacionados com a idade avançada, como doenças cardiovasculares e demência.

 

Os inibidores da transcriptase reversa análogos dos nucleósidos (NRTIs) - dos quais o mais conhecido é a zidovudina (AZT) - foram a primeira classe de medicamentos usada no tratamento do VIH. Na altura em que foi iniciada a sua comercialização, tratou-se de um grande avanço, aumentando significativamente a esperança de vida dos pacientes e levando a que a doença fosse vista como crónica, ao invés de terminal.

 

A equipa, liderada por Patrick Chinnery, verificou, ao analisar as células musculares de adultos infectados com o VIH, que os pacientes tratados com NRTIs - mesmo que uma década antes - apresentavam danos nas mitocôndrias, que lembravam as de uma pessoa saudável com idade mais avançada. "O ADN das nossas mitocôndrias é copiado por toda a vida e, à medida que envelhecemos, naturalmente acumulam-se erros. Acreditamos que estes fármacos anti-HIV acelerem a velocidade com que esses erros se acumulam. Assim, ao longo de, digamos, 10 anos, o ADN mitocondrial de uma pessoa pode ter acumulado a mesma quantidade de erros de uma pessoa que, naturalmente, tenha envelhecido 20 ou 30 anos. O que é surpreendente, porém, é que os pacientes que pararam com a medicação há muitos anos ainda podem estar vulneráveis a essas mudanças", explicou, em comunicado de imprensa, o especialista.

 

Nos países mais desenvolvidos, nomeadamente na Europa e América do Norte, os NRTIs mais antigos são usados com menos frequência devido às preocupações sobre a sua toxicidade e efeitos secundários quando tomados durante um longo período de tempo. No entanto, como já estão fora de licença e, por isso, são relativamente baratos, os medicamentos são a salvação para pessoas infectadas com o VIH nos países mais pobres.

 

"Estes fármacos podem não ser perfeitos, mas devemos lembrar que, quando foram introduzidos aumentaram entre 10 a 20 anos de esperança de vida. Em África, onde a epidemia do VIH tem alastrado mais e onde os medicamentos mais caros não são uma opção, os antigos NIRTIs são uma necessidade absoluta", apontou, em comunicado, o co-autor da pesquisa, Brendan Payne.

 

A equipa continua a investigação, colocando, agora, o foco no exercício físico, dado acreditar que a prática de exercício pode reparar ou estabilizar alguns dos danos mitocondriais causados pela medicação.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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Mitocondrias e Antioxidantes

O Dr.Luc montagnier nos ultimos anos tem se debruçado muito sobre os mecanismos oxidativos.
Nos EUA alguns centros usam ja preparados antioxidantes que reduzem os danos mitocondriais como o SOD, a glutationa e a Coenzima Q10.

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