Anti-inflamatórios podem ajudar a tratar depressão?

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

20 outubro 2016
  |  Partilhar:

Os anti-inflamatórios semelhantes aos utilizados em condições como artrite reumatoide e psoríase podem no futuro ser usados para tratar alguns casos de depressão, conclui um estudo de revisão publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

Quando o organismo é exposto a uma infeção, o sistema imunitário luta para a controlar e a debelar. Durante este processo, as células imunitárias libertam, para a corrente sanguínea, proteínas conhecidas por citoquinas. Este processo é conhecido por inflamação sistémica.
 

Mesmo quando um indivíduo está saudável, o organismo apresenta níveis mínimos destas proteínas ou marcadores inflamatórios que aumentam exponencialmente em resposta à infeção. Estudos anteriores levados a cabo pelos investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, constataram que as crianças com níveis elevados destas proteínas são mais propensas a desenvolver depressão e psicose na idade adulta. Isto sugere que o sistema imunitário pode ter um papel importante na doença mental.
 

A inflamação pode também ocorrer como resultado do sistema imunitário atacar por engano as células saudáveis do organismo, conduzindo a doenças autoimunes inflamatórias como é o caso da artrite reumatoide, psoríase e doença de Crohn.
 

Recentemente foi desenvolvido um novo tipo de anti-inflamatórios, os anticorpos monoclonais anticitoquinas e inibidores das citoquinas, que estão a ser rotineiramente utilizados nos pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.
 

Os investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisaram dados de 20 ensaios clínicos que envolveram a utilização de fármacos contra as citoquinas (proteínas libertadas por algumas células do sistema imunitário) para tratar várias doenças autoimunes inflamatórias.
 

Neste estudo, os investigadores analisaram dados de 20 ensaios clínicos que envolveram a utilização anticorpos monoclonais anticitoquinas e verificaram que estes fármacos melhoravam a gravidade dos sintomas depressivos, independentemente das melhorias na doença física. Assim, independentemente do sucesso do fármaco no tratamento, nomeadamente, da artrite reumatoide, os sintomas depressivos dos pacientes melhoraram.
 

Golam Khandaker, o líder do estudo, conclui que é cada vez mais evidente que a inflamação desempenha um papel importante na depressão, pelo menos em alguns indivíduos. Este estudo sugere que é possível tratar estes indivíduos com uma nova classe de fármacos anti-inflamatórios, que não aqueles utilizados rotineiramente, como o ibuprofeno.

 

Contudo, o investigador acrescenta que são necessários mais estudos antes de os anticorpos monoclonais anticitoquinas serem utilizados no tratamento da depressão.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar