Anti-inflamatório: novo mecanismo de ação descoberto

Estudo publicado no “The Journal of Experimental Medicine”

08 junho 2016
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Investigadores do Reino Unido identificaram um novo mecanismo de ação de um anti-inflamatório, o adalimumab, utilizado habitualmente nos pacientes com artrite reumatoide, revela um estudo publicado no “The Journal of Experimental Medicine”.
 

O fator de necrose tumoral (TNF, sigla em inglês) é uma importante molécula inflamatória produzida pelo sistema imunitário. Os inibidores do TNF, como é o caso do adalimumab, são habitualmente utilizados no tratamento de doenças inflamatórias, como artrite reumatoide e doença de Crohn.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade College London, no Reino Unido, descobriram que o adalimumab não inibia apenas a sua proteína-alvo, o TNF, mas também aumentava uma função específica do TNF nos pacientes com artrite reumatoide. Na opinião dos investigadores, estes resultados podem explicar as eficácias divergentes dos diferentes fármacos que têm por alvo o TNF.
 

Os investigadores já tinham constatado anteriormente que o tratamento dos pacientes com artrite reumatoide com adalimumab aumentava o número de linfócitos T reguladores capazes de suprimir a inflamação.
 

Os autores do estudo, Dao Xuan Nguyen e Michael Ehrenstein, acreditavam que isto ocorria porque, na ausência do adalimumab, o TNF bloqueava o desenvolvimento destes linfócitos T reguladores. Contudo, curiosamente verificou-se que um outro inibidor do TNF, o etanercept, não induzia a formação destes linfócitos T supressores da inflamação nos pacientes com artrite reumatoide.
 

Neste estudo os investigadores constataram que, contrariamente ao etanercept, o adalimumab melhorava a capacidade do TNF em induzir a formação dos linfócitos T anti-inflamatórios. Verificou-se que o adalimumab aumentava a expressão do TNF na superfície dos monócitos dos pacientes e promovia a associação das moléculas do TNF com as proteínas recetoras na superfície dos linfócitos T reguladores. Esta associação ativa uma via de sinalização que confere aos linfócitos T a capacidade de suprimir a inflamação.
 

Assim, estes resultados sugerem que o adalimumab pode bloquear as funções pró-inflamatórias do TNF solúvel produzido pelas células do sistema imunitário e, simultaneamente, aumentar a atividade do TNF ligado à membrana que, em última análise, resolve a inflamação.
 

“Estes resultados evidenciam como um tratamento que tem como alvo uma importante citoquina inflamatória não só preserva, mas, na verdade, aumenta as forças pró-resolução impulsionadas por esta via, introduzindo, assim, um novo paradigma terapêutico”, concluiu Michael Ehrenstein.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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