Anti-hipertensores podem reduzir inflamação associada a lesões cerebrais traumáticas

Estudo publicado “The American Journal of Pathology”

23 setembro 2015
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A inflamação que ocorre após uma lesão cerebral traumática é causada por uma proteína que pode ser bloqueada através de um fármaco anti-hipertensor, defende um estudo publicado no “The American Journal of Pathology”.
 
Os investigadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos EUA, descobriram, pela primeira vez, num modelo animal, que os danos cerebrais produzem uma resposta inflamatória no sangue e órgãos, especialmente no fígado. O fígado responde com a produção aumentada, até cerca de mil vezes, de uma proteína que conduz à inflamação no cérebro, inflamação crónica, morte das células nervosas e redução do fluxo sanguíneo.  
 
O estudo apurou que, nos ratinhos, o tratamento com um fármaco anti-hipertensor, o telmisartan, foi capaz de bloquear a produção de umas das moléculas presentes na via biológica da proteína, conduzindo a uma redução substancial da inflamação. 
 
Os investigadores observaram que os níveis da proteína em causa, a SAA1, aumentaram no sangue seis horas após a lesão e 24 horas após no fígado. Após a administração de telmisartan pouco depois da lesão cerebral ter ocorrido, verificou-se que a resposta inflamatória periférica no fígado diminui.
 
“Este estudo estabelece a ligação entre as regiões periféricas e o cérebro, chamando à atenção para a importância da regulação dos danos periféricos quando se está a tentar atenuar as consequências dos danos cerebrais”, disse a investigadora.
 
Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigação já tinham constatado que o telmisartan e outro fármaco anti-hipertensor poderiam melhorar os resultados quando administrados algumas horas após o dano cerebral traumático. Os investigadores verificaram que a administração dos fármacos seis horas após o dano cerebral diminuía a inflamação, a morte neuronal, hemorragias e edema cerebral. O fluxo de sangue para o cérebro melhorou entre um a três dias após o tratamento, tendo-se observado melhorias cognitivas um mês após a lesão.
 
“Até à data, o tratamento desta condição consistia em cuidados de suporte e reabilitação, pois não havia forma de reduzir os danos inflamatórios que ocorriam imediatamente e continuamente após a lesão traumática. O nosso estudo sugere que um tratamento tanto para o cérebro como para o corpo pode desempenhar um papel importante na resposta inflamatória crónica” revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Sonia Villapol.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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