Anti-hipertensores afetam depressão e doença bipolar

Estudo publicado na revista “Hypertension”

13 outubro 2016
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Os fármacos utilizados na diminuição dos níveis de pressão arterial podem também ter impacto em alguns distúrbios de humor, como a depressão ou doença bipolar, dá conta um estudo publicado na revista “Hypertension”.

 

“A saúde mental é pouco reconhecida no âmbito da prática clínica da hipertensão, e o possível impacto dos fármacos anti-hipertensores na saúde mental é uma área onde os médicos devem estar atentos e considerarem se o tratamento para a pressão arterial elevada está a ter um impacto negativo na saúde mental dos seus pacientes”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Sandosh Padmanabhan.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, recolheram dados de 525.046 pacientes com idades compreendidas entre os 40 e os 80 anos. Foram selecionados 144.066 pacientes que foram tratados com antagonistas da angiotensina, beta bloqueadores, antagonistas do cálcio ou diuréticos tiazídicos. Estes indivíduos foram comparados com 111.936 que não estavam a tomar nenhum destes fármacos.
 

Os investigadores acompanharam os pacientes ao longo de cinco anos, tendo documentado os episódios de hospitalização resultantes de distúrbios de humor, como a depressão ou doença bipolar.
 

Após mais de 90 dias de tratamento com os fármacos anti-hipertensores, foram verificadas 299 admissões hospitalares, principalmente resultantes de depressão major. Isto ocorreu em média 2,3 anos após os pacientes terem iniciado o tratamento.
 

Os pacientes tratados com betabloqueadores e antagonistas do cálcio apresentaram um risco duas vezes maior de serem hospitalizados devido a distúrbios de humor, comparativamente com aqueles que estavam a ser tratados com antagonistas da angiotensina, ou seja, inibidores da enzima conversora da angiotensina.
 

Os pacientes tratados com antagonistas da angiotensina tinham o risco mais baixo de serem hospitalizados devido a estas doenças, comparativamente com os tratados com outros fármacos e também com aqueles que não estavam a fazer qualquer medicação.
 

O estudo apurou ainda que os indivíduos que tomavam diuréticos tiazídicos apresentavam o mesmo risco de distúrbios de humor, comparativamente com os pacientes que não tomavam estes fármacos. A presença de condições médicas coexistentes aumentou o risco de distúrbios de humor.
 

Estes resultados sugerem assim que os inibidores da enzima conversora da angiotensina e os bloqueadores do recetor da angiotensina que são utilizados no controlo da hipertensão podem ser utilizados no tratamento dos distúrbios de humor.

 

Sandosh Padmanabhan refere que estes resultados têm de ser, no entanto, validados em estudos independentes.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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