Anti-hipertensor pode ajudar no tratamento do cancro

Estudo publicado na “Nature Communications”

04 outubro 2013
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A toma de fármacos anti-hipertensores pode melhorar os resultados da quimioterapia através da abertura de vasos sanguíneos colapsados presentes nos tumores sólidos, sugere um estudo publicado na revista “Nature Communications”.
 

Os investigadores do Hospital General de Massachusetts, nos EUA, descrevem como um dos inibidores da angiotensina facilita o acesso dos fármacos quimioterápicos e do oxigénio nos tumores através do aumento do fluxo sanguíneo.
 

“Os inibidores da angiotensina são medicamentos seguros para o tratamento da pressão arterial, já são utilizados há mais de uma década, e podem ser utilizados para o tratamento do cancro. Contrariamente aos fármacos antiangiogénicos, que melhoram o fluxo sanguíneo nos tumores, através da reparação da estrutura anormal dos vasos sanguíneos do tumor, os inibidores da angiotensina abrem esses vasos através da libertação de forças físicas que são aplicadas nos vasos sanguíneos do tumor quando uma matriz de gel que os rodeia se expande com o crescimento do tumor”, explicou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Rakesh K. Jain.
 

Os investigadores focaram-se na forma como as propriedades físicas e fisiológicas dos tumores podem inibir as terapias cancerígenas. Estudos anteriores já tinham verificado que o fármaco losartan melhorava a distribuição, dentro dos tumores, de moléculas relativamente grandes (nanomedicamentos) através da inibição da formação de colagénio, um constituinte primário da matriz extracelular.
 

Neste estudo, os investigadores analisaram se o losartan e outros fármacos que bloqueiam a ação da angiotensina poderiam libertar as forças presentes dentro dos tumores, que comprimem e colapsam os vasos sanguíneos. Estas pressões são exercidas quando os fibroblastos associados ao cancro proliferam e produzem elevados níveis de colagénio e uma substância com consistência de gel denominada por ácido hialurónico.
 

Experiências realizadas em animais demonstraram que tanto o colagénio como o ácido hialurónico estão envolvidos na compressão dos vasos sanguíneos dos tumores. Foi também verificado que o losartan inibia a formação das duas moléculas. Comparativamente com os inibidores ECA, que bloqueiam a angiotensina de uma forma distinta, o losartam e os fármacos da sua classe parecem ser mais eficazes na compressão dentro dos tumores.
 

Apesar de os investigadores terem verificado que a utilização do losartan, em modelos de cancro do pâncreas e mama, teve pouco efeito no crescimento do tumor, a sua combinação com quimioterápicos atrasou o crescimento dos tumores e aumentou a sobrevivência.
 

Com bases nestes resultados obtidos em animais, os investigadores estão a iniciar um ensaio clinico de forma a averiguar se o losartan pode melhorar o tratamento do cancro do pâncreas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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