Antes de falarem os bebés já começam a treinar

Estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”

17 julho 2014
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Os bebés são capazes de distinguir os sons de todas as línguas até aos oito meses de idade, altura em que o cérebro começa a focar-se apenas nos sons que as crianças escutam à sua volta. Apesar de não se saber ao certo como esta transição ocorre, o estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences” sugere que as interação sociais e linguagem lenta e exagerada dos pais pode ajudar.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, sugere que as palavras que os bebés ouvem estimulam áreas motoras do cérebro que estão envolvidas na coordenação dos movimentos que irão mais tarde permitir a articulação da fala. Assim, é importante falar com os bebés mesmo que eles ainda não respondam de volta. “Ao ouvirem falar são exercitadas áreas de ação no cérebro dos bebés. Os cérebros dos bebés estão assim a preparar-se e a praticar a fala mesmo antes de conseguirem falar”, explicou, em comunicado de imprensa, Patricia Kuhl.
 

Neste estudo, os investigadores mediram a atividade cerebral de 57 bebés enquanto estes ouviam uma série de sílabas na língua nativa e estrangeira. Os bebés foram avaliados entre os sete e 11 meses de idade, bem como aos 12 meses de idade.
 

Os investigadores verificaram que havia atividade cerebral na área auditiva do cérebro conhecida por giro temporal superior, assim como na área de Broca e no cerebelo, regiões corticais responsáveis pelo planeamento do movimento motor, necessárias para a produção da fala.
 

O estudo apurou que este padrão de atividade cerebral ocorria aquando a audição de sons da língua nativa e não nativa aos sete meses de idade. Estes resultados demonstram que nesta idade os bebés respondiam a todos os sons, incluindo aqueles que nunca tinham escutado.
 

Os investigadores constataram ainda que entre os 11 e os 12 meses de idade ocorria um aumento da ativação motora para os sons do discurso não nativo, comparativamente com o nativo. Na opinião dos investigadores, estes resultados mostram que é necessário mais esforço para prever que movimentos criam o discurso não nativo. Isto reflete um efeito das experiências ocorridas entre os sete e os 11 meses de idade e sugere que a ativação nas áreas motoras cerebrais está a contribuir para a transição no início da perceção do discurso.
 

De acordo com os investigadores, este estudo tem também implicações sociais e sugere que o discurso lento e exagerado dos pais pode realmente levar as crianças a tentar sintetizar as expressões e a imitar o que ouviram.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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