Ansiedade infantil e a rede protetora dos pais

Estudo publicado na revista “Child Psychiatry and Human Development”

29 agosto 2014
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Os pais têm a tendência de confortar os filhos quando eles estão assustados. Contudo, um novo estudo publicado na revista “Child Psychiatry and Human Development” sugere que algumas destas reações podem de facto reforçar os sentimentos de ansiedade das crianças.


"A ansiedade das crianças é uma das doenças mais comuns na infância. Uma certa quantidade de ansiedade é normal e necessária para manter a segurança. Os níveis problemáticos de ansiedade surgem quando a criança não quer ir à escola ou sair nomeadamente com os amigos”, revelou, em comunicado de imprensa uma das autoras do estudo, Lindsay Holly.


Perante estas situações, os pais tendem a cair na chamada “rede protetora”. Apesar deste tipo de proteção ajudar momentaneamente a criança, esta pode reforçar os sentimentos de ansiedade a longo prazo. Isto pode acontecer, pois a criança percebe que recebe atenção por este tipo de comportamento. “A rede protetora é um conceito que por vezes os pais têm alguma dificuldade em entender”, disse a investigadora.


De forma a chegar a estas conclusões, os investigadores da Universidade do Estado de Arizona, nos EUA, realizaram questionários e entrevistas a 70 crianças com idades compreendidas entre os seis e os dezasseis anos, que estavam a ser tratadas para a ansiedade.


Os investigadores referem que as crianças ansiosas pedem mais atenção que as outras crianças. Contudo, num contexto de medo e ansiedade este tipo de atenção dada pelos pais pode dar entender às crianças que há algo realmente perigoso, o que faz com que as crianças evitem as situações que pressentem como assustadoras ou ameaçadoras.


Na opinião da investigadora, os pais devem pensar bem na forma como respondem a este tipo de circunstâncias, dando atenção aos seus filhos quando eles fazem algo corajoso ou enfrentam os seus medos. Por outro lado, é importante minimizar a atenção dada num contexto de ansiedade. Contudo, Lindsay Holly refere que por vezes é difícil para os pais verem os filhos assustados.


Mesmo as crianças ansiosas são capazes de ultrapassar os seus medos e nestas circunstâncias os pais devem compensá-las, nomeadamente com um sorriso. "Ser solidário e ajudar as crianças a enfrentar os seus medos é a chave", conclui a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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