Ansiedade: identificados neurónios-chave

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

13 setembro 2016
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Investigadores americanos descobriram que determinados neurónios no hipotálamo desempenham um papel central no desencadeamento da ansiedade, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

Os investigadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, defendem que ter por alvo estes neurónios em vez de todo o cérebro pode fornecer um tratamento mais eficaz contra a ansiedade e talvez contra outras doenças psiquiátricas.
 

Estudos realizados em ratinhos demonstraram que o bloqueio seletivo da hormona libertadora da hormona corticotropina (CRH, sigla em inglês) neste grupo de neurónios eliminava os receios naturais dos animais. Os ratinhos submetidos a este tipo de intervenção andavam em estruturas mais elevadas, exploravam áreas muito iluminadas e aproximavam-se de objetos novos, atitudes que os animais normalmente evitam.
 

A CRH é responsável pela coordenação da resposta ao stress físico e comportamental, conhecida como resposta de luta ou fuga. Este tipo de resposta ajuda a sobreviver contra ameaças, mas quando é ativada no momento errado ou de forma intensa, pode conduzir à ansiedade e/ou depressão.
 

Desta forma, as empresas farmacêuticas têm desenvolvido fármacos que bloqueiam a CRH como alternativas aos inibidores seletivos da recaptação da serotonina e as benzodiazepinas, que induzem efeitos secundários. Contudo, os resultados obtidos até à data não têm sido muito encorajadores.
 

“O bloqueio dos recetores CRH em todo o cérebro não funciona. Talvez o CRH tenha efeitos diferentes dependendo da área do cérebro onde é produzido”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Rong Zhang.
 

Neste estudo, os investigadores removeram seletivamente o gene CRH de cerca de mil células nervosas do hipotálamo de ratinhos. As células-alvo estavam no núcleo paraventricular, uma aérea do hipotálamo conhecida por controlar a libertação de hormonas do stress, como o cortisol. Para surpresa dos cientistas, a perda da CRH nessas células afetou não apenas a secreção de hormonas como também reduziu bastante o comportamento de ansiedade dos ratinhos.
 

Os investigadores verificaram ainda que a CRH secretada no núcleo paraventricular ia para mais locais no cérebro do que inicialmente se pensava, incluindo áreas que controlam a resposta comportamental ao stress. “Foi uma surpresa total ter verificado que o local de controlo se encontra numa pequena parte do hipotálamo”, referiu a investigadora.
 

Joseph Majzoub conclui que o bloqueio, nos seres humanos, da produção de CRH apenas num subconjunto de neurónios é um desafio. Contudo, se tal for possível poderia ser utilizado para o tratamento de distúrbios de ansiedade graves ou stress pós-traumático .
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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