Ansiedade e depressão poderão ser sinais precoces de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Journal of Alzheimer's Disease”

23 outubro 2018
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Um conjunto de sintomas psiquiátricos específicos, como a ansiedade, depressão, falta de apetite e problemas de sono, poderão constituir marcadores de alterações cerebrais muito precoces provocadas pela doença de Alzheimer, indicou um estudo. 
 
Conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade da Califórnia em San Francisco, EUA, o estudo teve como base a análise de amostras de tecido cerebral de autópsias do Biobanco para Estudos em Envelhecimento (BEE) da Universidade de São Paulo, no Brasil.
 
Os investigadores identificaram 455 amostras de tecido cerebral de pessoas que tinham morrido com mais de 50 anos de idade, entre 2004 e 2014. Algumas amostras apresentavam sinais de doença de Alzheimer, como acumulação de placa de beta-amiloide e fibrilhas de tau, e outras não evidenciavam sinais de neurodegeneração. 
 
O BEE possuía ainda registos de entrevistas efetuadas a indivíduos que conheciam bem a pessoa que tinha morrido, como familiares ou cuidadores, em que relatavam a capacidade mental e sintomas psiquiátricos apresentados pelo falecido. 
 
Os resultados das autópsias ao tecido cerebral foram comparados com os sintomas psiquiátricos dos relatos que constavam nas entrevistas. A equipa observou associações significativas entre as medidas psiquiátricas e cognitivas e padrões de fibrilhas de tau, mas não identificaram ligação com a acumulação de beta-amiloide.
 
Os sintomas de depressão, ansiedade, agitação, problemas de sono e de apetite foram associados à Alzheimer em estado inicial, em que as fibrilhas de tau aparecem no troco encefálico. Esta associação foi visível mesmo que os indivíduos não tivessem demonstrado alterações visíveis na memória antes de terem morrido.
 
As amostras com sinais de acumulação de fibrilhas de tau foram associadas a um maior risco de agitação. As amostras com uma maior acumulação de fibrilhas de tau foram associadas a sintomas de demência típicos da doença de Alzheimer, como perda de memória e da capacidade de raciocínio.
 
Os resultados apurados sugerem que os sintomas psiquiátricos não são a causa da Alzheimer, mas, provavelmente, indicadores precoces da doença. A equipa considera que estes marcadores poderão ajudar os médicos a diagnosticarem a doença precocemente, aumentado assim as oportunidades de desaceleração do progresso da mesma, e que estes achados poderão alterar a nossa perceção sobre como a doença de Alzheimer conduz a sintomas psiquiátricos nos doentes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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