Anorexia nervosa é afinal uma dependência

Estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”

27 junho 2016
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Investigadores franceses sugerem que a anorexia nervosa pode não ser explicada pelo medo de engordar, mas antes pelo prazer de emagrecer, sendo que este fenómeno pode ser influenciado geneticamente, revela um estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”.
 
A anorexia nervosa, frequentemente associada a problemas psicológicos major, é um distúrbio alimentar que afeta principalmente as raparigas e mulheres jovens. O diagnóstico é baseado em três critérios internacionais: restrição da ingestão de alimentos que conduz à perda de peso, uma perceção distorcida do peso e do corpo, e um medo intenso de engordar. 
 
Uma vez que a investigação não tem surtido resultados positivos, os investigadores da Universidade Paris Descartes e do Hospital Sainte Anne, em França, decidiram focar-se nos critérios clínicos da doença, tendo reavaliado o último. 
 
De forma a não serem influenciados pelo discurso dos pacientes, os investigadores utilizaram um teste de condutância da pele, que mede a taxa de transpiração quando um indivíduo é exposto a várias imagens. A emoção causada por determinadas imagens desencadeia, de facto, um aumento rápido e automático da transpiração. 
 
Os investigadores apresentaram imagens de indivíduos com peso normal ou com excesso de peso a 70 mulheres que tinham pesos variados e diferentes níveis de gravidade de anorexia nervosa. A visualização destas imagens causou uma reação semelhante tanto nestas pacientes como em mulheres saudáveis. Contudo, quando foram visualizadas imagens de corpos magros, as pacientes tiveram reações emocionais positivas, enquanto as mulheres saudáveis não tiveram qualquer reação específica.
 
A anorexia nervosa é um distúrbio altamente hereditário (70%). Um dos genes mais frequentemente associados à doença codifica para o BDNF, um fator envolvido na sobrevivência dos neurónios e na neuroplasticidade. 
 
Nas doentes com anorexia nervosa, o aumento da transpiração perante as imagens de magreza corporal poderá ser explicado pela presença de um alelo do gene BDNF. Este achado foi confirmado após os investigadores terem analisado fatores que poderiam influenciar os resultados, tais como peso, tipo de anorexia ou a duração da doença.
 
Com base nestes resultados, os autores do estudo acreditam que a investigação futura deverá forcar-se nos sistemas de recompensa em vez de nas fobias. Adicionalmente, o estudo sugere que determinadas abordagens terapêuticas, tais como a reabilitação cognitiva e a terapia mindfulness, podem ter um efeito benéfico na doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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