Anorexia: estimulação cerebral profunda mostra-se promissora

Estudo publicado na revista “Lancet”

12 março 2013
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A estimulação cerebral profunda pode ajudar os pacientes com anorexia nervosa severa e resistente ao tratamento a obter melhorias no que diz respeito ao peso corporal, humor e ansiedade, dá conta um estudo publicado na revista “Lancet”.

 

Neste estudo, em fase experimental, os investigadores da University of Toronto, no Canadá, contaram com a participação de seis indivíduos cronicamente doentes, os quais tinham uma média de 38 anos de idade. Para além de sofrerem de anorexia, a maioria dos pacientes padecia de doenças psiquiátricas como depressão e doença obsessiva compulsiva.

 

Os investigadores, liderados por Nir Lipsman, submeteram os pacientes a estimulação cerebral profunda, um procedimento neurocirúrgico que modera a atividade dos circuitos cerebrais disfuncionais. O procedimento consistiu na colocação de elétrodos numa área específica do cérebro envolvida nas emoções e que revelou ser bastante importante na depressão. Durante o processo, os elétrodos foram estimulados para averiguar a resposta dos pacientes a alterações no humor, ansiedade ou efeitos adversos. Uma vez implantados, os elétrodos foram ligados a um aparelho que emitia impulsos elétricos, semelhante a um pacemaker cardíaco, o qual foi colocado na clavícula direita.

 

Nove meses após a cirurgia o estudo apurou que três dos seis pacientes tinham aumentado de peso. Para estes pacientes, este foi, desde o início da doença, o período mais longo de aumento de peso sustentado. Quatro dos seis pacientes também sentiram simultaneamente alterações de humor, ansiedade e controlo das suas respostas emocionais, como obsessões e compulsões. Como resultado destas alterações, dois dos pacientes conseguiram cumprir o programa de tratamentos deste distúrbio alimentar pela primeira vez.

 

“Estamos verdadeiramente a inaugurar uma nova era de compreensão do cérebro e do papel que este pode desempenhar em determinadas doenças neurológicas. Ao identificar e corrigir os circuitos cerebrais específicos associados aos sintomas de algumas destas condições, estamos a conseguir encontrar alternativas de tratamento”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Andres Lozano.

 

Apesar de ser ainda um tratamento experimental, acredita-se que este funcione através da estimulação de uma área específica do cérebro que reverte os distúrbios associados à ansiedade, humor, controlo emocional, obsessões e compulsões, todos estes associados à anorexia. Em alguns casos, após a cirurgia, os pacientes foram capazes de completar tratamentos que anteriormente não tinham tido sucesso.

 

O estudo refere que esta investigação pode não só fornecer uma alternativa de tratamento para a anorexia, como também promover a compreensão desta doença e dos fatores que a tornam persistentes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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