Ano de nascimento influencia risco genético para obesidade

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

06 janeiro 2015
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O ano de nascimento pode ter impacto no risco genético para a obesidade, revela um estudo desenvolvido por uma equipa de cientistas dos EUA.
 
A maioria dos estudos tem centrado a sua atenção na relação entre a genética e o meio ambiente em indivíduos nascidos num determinado período temporal, o que, na maioria dos casos, não é suficiente para dar conta das alterações num âmbito mais alargado do meio ambiente ao longo do tempo. Neste estudo, cientistas de diversas instituições norte-americanas investigaram a possibilidade de diferentes condições do meio poderem alterar o impacto de uma variante genética na saúde de indivíduos de diferentes grupos etários. 
 
Para esta investigação foram utilizados dados do estudo “Framingham Offspring Study”, que acompanhou os filhos dos participantes de um outro estudo (“Framingham Heart Study”), entre 1971 e 2008. A idade dos participantes variou entre os 27 e os 63 anos.
 
Os cientistas analisaram a correlação entre o índice de massa corporal (IMC) dos participantes e variantes do gene FTO – normalmente associada ao risco de obesidade – dos mesmos. Se entre os indivíduos nascidos antes de 1942 não se detetou qualquer correlação entre variantes do FTO e o IMC, nos indivíduos nascidos depois desse ano verificou-se que esta correlação não só se revelou positiva como foi duas vezes maior do que o relatado em estudos anteriores.  
 
“Ao analisar os dados dos participantes no ‘Framingham Heart Study’, descobrimos que a correlação entre a variante do gene mais conhecida por estar associada à obesidade e o índice de massa corporal aumentava significativamente à medida que o ano de nascimento dos participantes também aumentava”, revelou o autor principal do estudo, James Niels Rosenquist, do Departamento de Psiquiatria do Massachusetts General Hospital. “Estes resultados – tanto quanto sabemos, os primeiros do género – sugerem que esta, e talvez outras correlações entre variantes genéticas e características físicas, poderão depender em grande parte de quando os indivíduos nasceram, mesmo entre indivíduos da mesma família”, acrescentou.
 
Apesar de os investigadores não terem sido capazes de apontar as diferenças do meio ambiente responsáveis pela expressão do impacto da variante do gene FTO no risco de obesidade, factos como a crescente dependência na tecnologia, a menor atividade física e a adoção de uma dieta mais rica em calorias, que se têm verificado após a II Guerra Mundial, podem ser alguns dos motivos adiantados pelos mesmos para esta alteração na correlação.
 
“Sabemos que o meio ambiente tem um enorme impacto na expressão dos genes, e o facto de o nosso efeito ser visível mesmo entre irmãos nascidos em anos diferentes significa que fatores ambientais à escala global, tais como tendências em produtos alimentares e atividade no trabalho, além daqueles encontrados no seio das famílias, podem ter impacto nas características genéticas”, refere o investigador.
 
Na opinião de Rosenquist, os resultados deste estudo destacam a importância de tomar os resultados de qualquer estudo genético sempre com alguma reserva e considerar “a possibilidade de novos fatores de risco genéticos serem detetados no futuro devido a diferentes respostas orientadas pelos genes ao meio ambiente, que se encontra em constante mudança”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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