Animais podem melhorar aptidões sociais de crianças autistas

Estudo divulgado na revista “PLoS One”

16 agosto 2012
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Um estudo levado a cabo por investigadores franceses e publicado na revista científica “PLoS One” revela que introduzir um animal de estimação no ambiente familiar de crianças autistas pode ajudar a desenvolver as aptidões sociais destas.

 

Há muito tempo que os médicos ouviam os pais de crianças autistas dizer que ter um animal de estimação em casa ajudava-as a desenvolver comportamentos sociais, mas até ao momento não havia qualquer estudo que avaliasse cientificamente estes relatos.

 

Os problemas de comunicação constituem uma das principais manifestações do autismo, daí que as estratégias para ultrapassar esses problemas desempenhem um papel central na terapia para esta doença.

 

Estudos anteriores revelaram que a introdução de animais de estimação na família ajudam a reforçar os laços familiares e podem ajudar a desenvolver as aptidões sociais de crianças não autistas ao aprenderem a partilhar e cuidar do animal.

 

Para verificar se os animais de estimação teriam o mesmo efeito em crianças autistas, os autores do estudo compararam as interações sociais destas crianças (conforme relatadas pelos pais) em três contextos distintos: famílias que nunca tinham tido um animal de estimação; famílias que tinham um animal de estimação desde o nascimento da criança; famílias que passaram a ter um animal de estimação após o quinto aniversário da criança.

 

Este estudo envolveu 260 crianças com autismo e o foco prendeu-se com as interações sociais demonstradas por crianças entre os quatro e cinco anos de idade, visto ser esta a idade em que as incapacidades sociais normalmente se manifestam com maior evidência.

 

Os resultados demonstraram que os participantes que tinham um animal de estimação depois de terem nascido apresentavam valores mais elevados nas categorias “oferecer-se para partilhar” e “oferta de conforto”.

 

Não foi notada qualquer relação entre o QI de cada indivíduo e o impacto do animal, daí que se tenha concluído que os benefícios proporcionados pelos animais “não parecem estar relacionados com o grau de autismo”, conforme refere o autor do estudo, Marine Grandgeorge, membro do Centro de Recursos de Autismo do Hospital Académico de Brest, em França.

 

Uma possível explicação para o facto de a introdução do animal no ambiente familiar mais tarde na vida da criança ter maior impacto poderá estar relacionada com o reforço da coesão familiar que a chegada do animal promove.

 

No entanto, Grandgeorge adverte que estes resultados não devem necessariamente constituir um motivo para os pais partirem imediatamente à busca de um animal para levarem para casa, até porque a estratégia pode por vezes dar origem a resultados contrários.

 

“Curiosamente, observei uma criança que estava sempre centrada no seu gato. Tinha de saber sempre onde ele estava, o que estava a fazer e passou a estabelecer rituais com ele e separar-se dele era uma fonte de ansiedade”, conta Grandgeorge. “Toda a família, incluindo o gato, sofreu muito com esta situação”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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