Angola: Vírus Marburg é uma das epidemias mais fatais

Número de mortos sobe para 119

29 março 2005
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O número de pessoas mortas pelo vírus Marburg, similar ao Ebola, subiu para 119 em Angola. O vice-ministro da Saúde angolano, José Van-Dúnem, apelou hoje à comunidade internacional para que apoie o país na luta que está a travar para conter a propagação da doença. O vírus – que causa febre, vómitos e hemorragias– apresentou os seus primeiros casos, em Outubro, na província Uige, no norte do país, mas agora começou a espalhar-se pelo país. O vice-ministro da Saúde angolano, José Van-Dúnem, classificou a situação como «crítica» e apelou ao apoio internacional. «Angola precisa do apoio da comunidade internacional com meios logísticos, recursos humanos e meios de transporte para conseguir travar este vírus», afirmou o responsável, numa intervenção que proferiu perante o corpo diplomático acreditado em Luanda. O mesmo apelo foi também feito por Amílcar Tanouari, do Centro de Controlo de Doenças de Atlanta, EUA, um dos dois únicos laboratórios do mundo com capacidade para manusear o Vírus de Marburg. Segundo informou hoje o ministro da Saúde angolano, Sebastião Veloso, as autoridades angolanas registaram, até terça-feira, 124 casos da doença provocada pelo vírus de Marburg, de que resultaram 119 mortos. Comentando esta elevada taxa de mortalidade, José Van-Dúnem admitiu que a doença está a registar em Angola «uma mortalidade da ordem dos 100 por cento».A epidemia já ultrapassou a mais fatal registada até hoje, quando 123 pessoas morreram na República Democrática do Congo, entre 1998 e 2000. José Van-Dúnem adiantou que vai ser instalado no Hospital Américo Boavida, em Luanda, um pavilhão especial para o isolamento de doentes infectados com este vírus. Por outro lado, salientou que foram notificados três casos desta doença na região de Matdi, na RDCongo (ex-Zaire), numa zona que faz fronteira com a província angolana do Uíge, onde está localizado o foco da epidemia. Relativamente às medidas que estão a ser tomadas nesta província, o vice-ministro angolano salientou que estão no terreno cerca de meia centena de especialistas de várias organizações internacionais. A Netcare Travel Clinic, baseada na África do Sul, disse que as pessoas devem evitar viajar para Angola por pelo menos uma semana. O porta-voz da entidade, Andrew Jamieson, disse à agência de notícias AFP que muitas pessoas, incluindo expatriados, estavam a pensar em retirar suas famílias do país. Autoridades de agências de ajuda humanitária e da Organização das Nações Unidas, a ONU, estão a trabalhar com o governo angolano para conter o vírus. A União Europeia anunciou na semana passada que vai doar cerca de 600 mil euros para combater a doença. As principais suspeitas das formas de contágio são através de fluidos corporais, ou contacto directo com pessoas, equipamentos ou outros objectos contaminados com sangue infectado ou tecidos. Os primeiros sintomas do Marburg são diarreia, dor de estômago, náuseas e vómitos. Quanto se desenvolve, os pacientes podem sofrer dores no peito, graves hemorragias internas e, eventualmente, morrer. Actualmente, as recomendações de assistência médica são para manter o paciente com os fluidos equilibrados e a pressão sanguínea controlada. O paciente também pode receber transfusões sanguíneas e de factores coagulantes. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a OMS, três quartos das vítimas do vírus têm sido crianças. O nome do vírus é herança da cidade alemã de Marburg, onde foi identificado pela primeira vez, em 1967.MNI-Médicos Na Internet Com agências

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