Anestesia virtual alivia a dor

Mundos artificiais distraem e ajudam a esquecer

21 junho 2004
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Os mundos de fantasia criados pela realidade virtual têm se mostrado uma forma original de aliviar o sofrimento de pacientes com dores intratáveis.
 

 

Hunter Hoffman, investigador do Centro Médico Harborview, da Universidade de Washington, em Seattle, testou os seus mundos virtuais em vítimas de queimaduras que sofrem dores torturantes quando trocam de roupa e em quem as terapias com fármacos convencionais não fazem efeito.
 

Os mundos virtuais de Hoffman, que o cientista baptizou com nomes como «Mundo de Neve» ou «Mundo da Aranha», foram projectados para envolver o utilizador de uma forma tão profunda que a experiência virtual passa a servir como distracção para a dor.
 

 

O «Mundo de Neve», por exemplo, leva os doentes a uma impressionante viagem virtual por frigoríficos e cavernas de gelo enquanto tentam defender-se dos ataques de ursos polares e pinguins.
 

 

A anestesia virtual baseia-se no princípio da distração da capacidade de atenção do cérebro. Hoffman acredita que a dor contém um significativo elemento psicológico e, por isso, a distracção com a realidade virtual funciona tão bem para controlar a dor.
 

«A dor exige a atenção consciente. Os humanos têm uma quantidade limitada disso, e é difícil fazer duas coisas de uma só vez», disse o cientista à BBC.
 

De acordo com o conceito predominante de como a dor se manifesta, conhecido como Teoria do Portão, acredita-se que o componente psicológico interaja com o fisiológico. Isso indica que a ordem dos processos mentais se espalha pela espinal medula e influencia a quantidade de dor que chega ao cérebro.
 

A realidade virtual também é utilizada no tratamento de fobias e distúrbios de stress pós-traumático. Um dos projectos de Hoffman foi o desenvolvimento de um programa de tratamento para os sobreviventes dos atentados de 11 de Setembro de 2001 contra o World Trade Center.
 

Em colaboração com a Universidade Cornell de Nova Iorque, Hoffman construiu um programa de realidade virtual que é uma simulação dos eventos de 11 de Setembro com o objectivo de dessensibilizar o paciente em relação aos eventos daquele dia. «A terapia de exposição virtual permite que o acontecimento seja accionado passo a passo, começando com a hora de se levantar na manhã do 11 de Setembro e, de modo gradual, chegar aos episódios mais perturbadores para a memória. É uma maneira controlada de extrair e processar as memórias.»
 

Uma das pacientes superou o sentimento de culpa por ter fugido do local e não ter ajudado outras pessoas, que acabaram por morrer. De acordo com a paciente, a terapia de exposição virtual ajudou-a a recuperar uma sensação de calma e de aceitação.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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