Anestesia geral diminui desenvolvimento da linguagem e QI das crianças

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

11 junho 2015
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A administração de anestesia geral em crianças com menos de quatro anos está associada a uma redução da compreensão da linguagem e QI, bem como a uma diminuição da densidade da substância cinzenta na região posterior do cérebro, dá conta um estudo publicado na revista “Pediatrics”.
 

Estudos anteriores realizados pelos investigadores do Hospital Pediátrico de Cincinnati nos EUA, constataram que a anestesia geral conduzia à morte das células nervosas e problemas cognitivos em ratinhos. Esses estudos levantaram preocupações sobre os potenciais efeitos semelhantes nas crianças pequenas durante um período de desenvolvimento neurológico particularmente sensível.
 

Foi neste sentido que os investigadores, liderados por Andreas Loepke, decidiram avaliar de que forma a anestesia geral afetava a estrutura cerebral, o QI e desenvolvimento da linguagem de crianças com menos de quatro anos de idade.
 

“O objetivo final do nosso laboratório e investigação é melhorar a segurança e resultados nas crianças que não têm escolha e que são submetidas a cirurgias com anestesia para tratar os problemas de saúde graves. Também temos de ter maior conhecimento sobre até que ponto a anestesia e outros fatores contribuem para problemas de aprendizagem nas crianças antes de fazer alterações concretas na prática atual”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Para o estudo os investigadores contaram com a participação de 53 crianças entre os cinco e os 18 anos que tinham sido submetidas a uma cirurgia com anestesia geral antes dos quatro anos, e 53 crianças que não tinham tido qualquer tido de intervenção. Nenhuma das crianças tinha antecedentes de doenças neurológicas ou psicológicas, nem danos cerebrais traumáticos.
 

A estrutura cerebral dos participantes foi analisada através da realização de ressonância magnética. As crianças também foram submetidas a testes de QI e desenvolvimento da linguagem.
 

O estudo apurou que os resultados dos testes obtidos se enquadrarem numa gama normal comparativamente com a população em geral. Contudo, verificou-se que, comparativamente com as crianças que não tinham sido submetidas à cirurgia, as que tinham sido submetidas apresentavam um QI significativamente mais baixo, bem como piores resultados nos testes de desenvolvimento da linguagem.
 

Os investigadores constataram que os resultados mais baixos entre as crianças submetidas à cirurgia foram mediados por uma redução da densidade da substância cinzenta no córtex occipital e no cerebelo.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados ressaltam a importância de encontrar novas formas de administrar anestesia para crianças submetidas à cirurgia. No entanto, defendem que as técnicas de anestesia atuais são muito seguras e que os benefícios da cirurgia para as crianças superam os riscos associados à exposição ao anestésico.
 

“Muitos dos procedimentos cirúrgicos realizados tratam condições que põe em risco a vida das crianças evitando complicações sérias ou melhorando a qualidade de vida. Estes não podem ser facilmente adiados ou evitados, conclui Andreas Loepke.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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