Anestesia: e quando os pacientes acordam?

Estudo publicado na revista ”PNAS Early Edition”

11 março 2013
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Investigadores americanos identificaram um padrão de eletroencefalograma (ECG) que indica quando os pacientes submetidos a uma anestesia geral com propofol perdem e adquirem de novo a consciência, revela um estudo publicado na revista ”PNAS Early Edition”.
 

Dois em cada 1.000 pacientes acordam durante a cirurgia, apesar de estarem supostamente inconscientes. Caso um paciente acorde a meio de uma cirurgia, fica consciente do que está a ocorrer e pode mais tarde recordar os detalhes, ocorrendo um risco sério de sofrer de trauma psicológico prolongado.
 

Há já algumas décadas que se sabe que alguns anestésicos podem provocar alterações nos padrões de ECG, um procedimento que é utilizado para medir a atividade elétrica do cérebro. Contudo, até à data não existiam dados que sugerissem que estas alterações podiam causara perda e recuperação da consciência.
 

O estudo refere que o propofol é habitualmente utilizado para induzir e manter as pessoas anestesiadas. Em novembro de 2012, os investigadores identificaram um padrão de atividade cerebral em três pacientes submetidos a este anestésico, aos quais tinham sido implantados elétrodos no cérebro, para o tratamento da epilepsia. Desta forma os investigadores sabiam quando os pacientes tinham perdido a consciência.
 

Neste estudo, os investigadores do Massachusetts General Hospital, nos EUA, contaram com a participação de 10 indivíduos saudáveis, aos quais foi administrado propofol e avaliadas as leituras obtidas através da realização do ECG. Uma vez que este anestésico induz o estado de inconsciência em menos de um minuto, o que dificulta a leituras do ECG, os investigadores aumentaram a dose do tratamento na primeira hora e diminuíram-na na segunda.
 

Ao longo das duas horas de administração do propofol, os participantes foram expostos a palavras ou cliques, tendo que identificar o tipo de som, pressionando um botão. Quando os indivíduos deixaram de responder aos cliques encontravam-se no início da sedação e quando não respondiam às palavras tinham perdido a consciência. As leituras demonstraram modificações características dos padrões de ECG indicadoras de alterações da consciência.
 

Os investigadores, liderados por Patrick Purdon, constataram que o padrão conhecido por “vale-max” ocorria mesmo antes de a consciência ter retornado. Por outro lado, o padrão “pico-max” foi observado durante os níveis mais profundos de inconsciência.
 

“As consequências desta descoberta podem ser enormes, uma vez que significa que encontramos um estado cerebral no qual sabemos que os pacientes irão estar inconscientes e podemos monitorizar este estado numa sala de operações através de ECG. Através do padrão de “vale-max” podemos saber quando o paciente está a voltar a ter consciência. Com estes marcadores neurofisiológicos fundamentais dos estados sedativos e inconscientes e com algum equipamento de ECG, podemos começar a monitorizar os padrões e saber quando administrar propofol imediatamente”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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