Androgénios protegem homens contra a doença de Alzheimer
02 outubro 2001
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Androgénios e estrogénios podem ter o mesmo efeito na protecção contra a doença de Alzheimer. Um pequeno estudo forneceu novas evidências de que as hormonas sexuais masculinas podem, à semelhança do que acontece nas mulheres, proteger os homens da doença de Alzheimer.
 

 

A equipa de pesquisa chefiada por Sam Gandy, da Universidade de Nova York (EUA), seguiu o tratamento de seis homens submetidos a uma terapêutica para bloquear a produção de hormonas sexuais masculinas, ou androgénios, como parte do tratamento do cancro da próstata.
 

 

Os investigadores avaliaram os níveis sanguíneos da proteína beta amilóide. É esta proteína que forma as placas no cérebro, que ocorrem na doença de Alzheimer. O aumento do risco desta doença está associado a níveis elevados de fragmentos de beta amilóide no sangue.
 

 

Quando os níveis de testosterona dos pacientes baixaram durante os primeiros seis meses da terapia, os níveis de beta amilóide praticamente duplicaram, declarou Sam Gandy durante o encontro anual da American Neurological Association.
 

 

«Numa pessoa de risco, a duplicação dos níveis de beta amilóide pode ser importante se essa taxa de aumento se mantiver constante. No entanto, este estudo ainda não é suficiente para estabelecer uma relação directa entre o aumento dos níveis de beta amilóide e o desenvolvimento da doença de Alzheimer nos homens», explicou este investigador.
 

 

À medida que o homem envelhece, a diminuição natural e gradual da testosterona «pode explicar porque a doença de Alzheimer ocorre na fase tardia da vida», comentou Gandy. Nas pessoas com predisposição genética para esta doença degenerativa, os níveis de beta amilóide podem permanecer controlados em valores-limite enquanto o organismo masculino produz androgénios. A partir do momento em que a produção das hormonas masculinas diminui (andropausa), os níveis de beta amilóide «podem aumentar de tal forma que começam a acumular-se no cérebro, formando as placas características da doença de Alzheimer.»
 

 

Para Sam Gandy, a influência dos hormonas sexuais sobre o risco de senilidade parece ser universal. Segundo este cientista se se pensa que o estrogénio protege as mulheres contra a doença de Alzheimer, então existe uma boa possibilidade da testosterona ter o mesmo efeito nos homens.
 

 

O coordenador desta pesquisa lembrou ainda que um grande estudo, ainda a decorrer na Universidade de Columbia, em Nova York, assim como outros trabalhos já realizados, sugerem que existe uma relação entre a reposição hormonal e saúde do cérebro.
 

 

"De 15 estudos epidemiológicos publicados desde 1990, 14 estimaram que o risco de Alzheimer foi reduzido a metade em mulheres na pós-menopausa que fizeram reposição hormonal", explicou Sam Gandy.
 

 

Os resultados do estudo que decorre em Columbia devem ser divulgados dentro de dezoito meses. Para já, a equipa da Universidade de Nova York pretende reforçar os resultados ao acrescentar mais homens ao estudo já realizado.
 

 

Estudos anteriores já demonstraram que a terapia de reposição hormonal em mulheres parece proteger contra a doença de Alzheimer.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: CNN

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