Andar de montanha russa provoca danos cerebrais?

Investigadores asseguram que situação é pouco provável

21 outubro 2002
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Não são raras as notícias que dão conta de lesões cerebrais provocadas pelas viagens vertiginosas em montanhas russas.
 

 

Mas, segundo um grupo de cientistas norte-americano, estas situações não passam de meras coincidências.
 

Segundo os investigadores da Universidade da Pennsylvania mesmo as viagens mais «violentas» não exercem força suficiente para provocar danos no cérebro de pessoas sãs.
 

 

O estudo, que utilizou um modelo matemático para calcular a possível sacudida cerebral derivada das «forças G» da montanha russa, chegou à conclusão que mesmo as viagens mais intensas não produziam a força suficiente para danificar o tecido cerebral.
 

 

Informações recentes difundidas na literatura médica e meios de comunicação dão conta de pessoas que ficaram com problemas cerebrais depois de terem andado neste brinquedo.
 

 

Estas informações geraram a preocupação e difundiram a ideia de que as montanhas russas maiores e mais violentas exercem força que pode provocar danos severos no cérebro e ocasionalmente o rebentamento de vasos sanguíneos.
 

 

O líder deste novo estudo refuta a ideia de que a denominada força G – uma determinação de força em relação à gravidade - de uma montanha russa possa provocar danos no cérebro.
 

 

O que é a força G
 

 

A força G de uma montanha russa origina a típica sensação de vazio no estômago, adiantou o investigador em entrevista à Reuters. A preocupação principal sobre as forças G sofridas pelo indivíduo - tal como acontecia com os pilotos de combate - é a possibilidade do sangue se acumular nas extremidades do cérebro e causar uma perda de consciência.
 

 

Uma força G, por si mesma, experimentada durante poucos segundos durante uma viagem de montanha russa «não provoca traumatismo cerebral», clarifica Douglas H. Smith, investigador do departamento de neurocirugia da Universidade de Filadélfia.
 

 

Para comprovar se as viagens em que se experimentam forças G são capazes de provocar danos, Smith e o seu colega, David F. Meaney, criaram um modelo matemático das «acelerações de cabeça» durante uma viagem.
 

 

Os cientistas basearam os cálculos em três viagens com «forças G elevadas» em três parques de atracções dos EUA. Segundo Smith, as «acelerações de cabeça» foram estudadas, independentemente da direcção de movimento de cabeça e estiveram «muito, mas muito por baixo» do limite para que ocorra uma lesão cerebral.
 

 

É possível, lembrou Smith, que os casos em que as pessoas sofreram hemorragias cerebrais depois de uma viagem na montanha russa tenha sido pura coincidência.
 

 

Outra possibilidade reside no facto, explicou o cientista, de algumas pessoas serem vulneráveis ao impacto das acelerações de cabeça produzidas pela montanha russa.
 

 

Smith e Meaney observaram que em alguns casos de hemorragias relacionados com montanhas russas, os passageiros sofriam de malformações preexistentes nos vasos cerebrais.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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