Análise ao sangue pode prever prognóstico de traumatismo crânio-encefálico

Estudo publicado no “Journal of Neurotrauma”

13 agosto 2015
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Médicos no Serviço de Urgência poderão diagnosticar rapidamente traumatismos crânio-encefálicos (TCE) e determinar a respetiva gravidade através de uma simples análise sanguínea, revela um estudo realizado por cientistas da Universidade Johns Hopkins.
 
O TCE pode resultar de uma contusão cerebral ou do efeito chicote de um acidente rodoviário ou outro. Um TCE pode variar desde uma contusão ligeira, que provoca apenas dor de cabeça ou visão turva temporária, a lesões mais graves que provoquem convulsões, confusão, problemas de memória e atenção, fraqueza muscular ou até mesmo coma. Estes sintomas, quer sejam ligeiros ou mais graves, são normalmente provocados por danos nas células cerebrais.
 
Atualmente um TCE é normalmente diagnosticado através de TAC ou dos sintomas relatados pelos pacientes. De acordo com os resultados, os pacientes são encaminhados para o domicílio, para retomarem as suas atividades habituais, ou são tomadas precauções extraordinárias. Contudo, a TAC apenas consegue detetar uma hemorragia, não danos nas células, o que pode ocorrer sem hemorragia.
 
Para este estudo, os investigadores mediram os níveis de três proteínas que suspeitavam poder estar envolvidas na atividade das células cerebrais. Para isso, realizaram análises ao sangue de 300 pacientes com TCE e 150 pacientes sem qualquer lesão cerebral e, de seguida, acompanharam os pacientes com TCE durante seis meses.
 
A partir da análise dos resultados laboratoriais, os cientistas foram capazes de verificar que os níveis da proteína fator neurotrófico derivado do cérebro (FNDC), recolhida 24 horas após a lesão cerebral, foi capaz de prever a gravidade do TCE e o prognóstico do doente. 
 
Enquanto uma pessoa saudável possui cerca de 60 nanogramas de FNDC por mililitro de sangue, pacientes com TCE apresentavam menos de um terço desta quantidade, tendo em média menos de 20 nanogramas por mililitro. Aqueles que apresentavam TCE mais graves apresentavam valores ainda mais baixos desta proteína, na ordem dos quatro nanogramas por mililitro. No caso dos pacientes com os valores mais baixos da FNDC, os sintomas permaneceram durante o período de seguimento. 
 
Estes resultados sugerem que uma análise aos níveis de FNDC realizada nas Urgências poderá ajudar a estratificar os pacientes.
 
“A vantagem de ser capaz de prever o prognóstico precocemente é que passa a ser possível aconselhar os pacientes acerca de o que fazer, recomendar uma ausência do trabalho ou da escola, e decidir se esses pacientes irão precisar de acompanhamento por um profissional de reabilitação ou um neurologista”, adianta Frederik Korley, primeiro autor deste estudo.
 
Além disso, acrescenta, poderá ajudar a decidir que pacientes devem ser inscritos em ensaios clínicos para novos fármacos ou terapias que tenham por alvo o TCE.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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