Análise à urina pode ajudar no diagnóstico do autismo

Estudo publicado na revista “Proteome Research”

08 junho 2010
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A urina das crianças com autismo apresenta uma marca bioquímica específica, que não se encontra nas crianças sem esta condição, aponta um estudo publicado na revista “Proteome Research”.

 

Além de incluir problemas de comunicação e falta de habilidades sociais (como ausência de empatia e dificuldades no contacto visual), o autismo também se caracteriza por perturbações gastrointestinais.

 

Em entrevista à Eurekalert, o autor do estudo, Jeremy Nicholson, do Imperial College London, no Reino Unido, referiu que, de facto, “o autismo é uma condição que afecta as habilidades sociais de uma pessoa, e, em princípio, pode parecer estranho que haja uma relação entre o autismo e o que ocorre no intestino”. No entanto, explicou o especialista, “o metabolismo e a composição das bactérias no intestino destas pessoas reflectem, entre várias outras coisas, o estilo de vida e os genes”.

 

Para o estudo, a equipa liderada por Jeremy Nicholson usou espectroscopia de RMN (ressonância magnética nuclear) para analisar a urina de três grupos de crianças entre os 3 e os 9 anos: 39 diagnosticadas com autismo, 28 irmãos não-autistas de crianças autistas e 34 crianças que não tinham autismo nem irmãos com a perturbação. Os resultados mostram que cada grupo apresentava uma “marca metabólica” diferente. “Esperamos que estes resultados possam ser um primeiro passo para o desenvolvimento de um teste simples de urina para diagnosticar o autismo precocemente, embora possa levar muito tempo para ser desenvolvido”, explicou o cientista.

 

Actualmente, para o diagnóstico da doença, as crianças passam por um longo processo de avaliação que envolve uma série de testes que exploram a interacção social, as capacidades de comunicação e imaginativa. É também difícil estabelecer um diagnóstico seguro quando as crianças têm menos de 18 meses, embora seja provável que as mudanças possam ocorrer muito mais cedo. O diagnóstico precoce desta doença pode fazer uma grande diferença no progresso destes indivíduos.

 

Os investigadores estão agora interessados em descobrir se as diferenças metabólicas nas pessoas com autismo estão relacionadas com as causas da doença ou se são consequência da sua progressão.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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