Analgésicos podem afetar a fertilidade das gerações seguintes

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

02 fevereiro 2016
  |  Partilhar:

A toma de analgésicos durante a gravidez pode reduzir a fertilidade das gerações vindouras, sugere um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, constataram que quando forneciam às mães analgésicos durante a gravidez, a descendência do sexo feminino tinha menos óvulos, ovários mais pequenos e as ninhadas eram menores, comparativamente com os animais que não tinham sido expostos a este tipo de fármacos.
 

O estudo apurou que a exposição aos analgésicos também afetava a descendência do sexo masculino, estes animais apresentavam um menor número de células que dão origem mais tarde aos espermatozoides na vida. No entanto, a função reprodutiva recuperava para níveis normais quando os ratinhos atingiam a idade adulta.
 

De forma a chegarem a estas conclusões, os investigadores testaram dois analgésicos em ratinhos fêmea grávidas, o paracetamol e a indometacina, que pertence à mesma classe de medicamentos que o ibuprofeno e a aspirina. Os animais foram tratados com paracetamol ao longo de nove dias e com indometacina durante quatro.
 

Os efeitos dos fármacos foram observados um a quatro dias após o início do tratamento. Para além de a exposição ter afetado a descendência imediata, também afetou as gerações subsequentes. As netas das fêmeas que tinham sido expostas a analgésicos durante a gravidez, também apresentavam ovários mais pequenos e uma função reprodutiva alterada.
 

Os cientistas defendem que estes resultados sugerem que alguns analgésicos podem afetar o desenvolvimento das células que dão origem aos óvulos e aos espermatozoides, denominadas por células germinativas, enquanto um feto está no útero. Este efeito pode ser devido ao facto de os analgésicos atuarem como hormonas conhecidas por prostaglandinas. Estas hormonas regulam a reprodução feminina e controlam a ovulação, o ciclo menstrual e a indução do parto.
 

Na opinião dos autores do estudo estes resultados são significativos, dada a semelhança entre os sistemas reprodutivos dos ratos e dos humanos, embora seja difícil extrapolar diretamente estes achados para as mulheres grávidas.
 

Os investigadores aconselham as mulheres grávidas a seguirem as recomendações atuais de utilizar os analgésicos com menor dose possível e durante um menor tempo possível.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.