Analgésicos aumentam risco de enfarte agudo do miocárdio

Estudo publicado na revista “The Lancet”

03 junho 2013
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A toma prolongada de analgésicos aumenta ligeiramente, mas de uma forma significativa, o risco de enfarte agudo do miocárdio, sugere um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

Neste estudo internacional liderado pelos investigadores da Oxford University, no Reino Unido, os investigadores analisaram os resultados de mais de 639 ensaios que envolveram mais de 350.000 indivíduos, para analisar qual o impacto de um tipo de analgésicos denominados por fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs).
 

Os investigadores verificaram que, quando utilizados em doses elevadas, o diclofenac e o ibuprofeno aumentam o risco de doença cardiovascular, causando, em média, três enfartes agudos do miocárdio anuais por cada 1000 pacientes tratados, um dos quais podendo ser fatal.
 

Por outro lado, a toma de elevadas doses de naproxen não conduziu a um aumento do risco de enfarte agudo do miocárdio. Na opinião dos autores do estudo isto poderá ser justificado pelo facto de este fármaco ter efeitos protetores que equilibram qualquer risco extra de enfarte agudo do miocárdio.
 

Contudo, o líder do estudo, Colin Baigent, refere que este risco é mais relevante para os indivíduos com artrite, os quais necessitam de tomar elevadas doses durantes longos períodos de tempo. A toma de baixas doses durante um curto espaço de tempo, não parece ser prejudicial.
 

“Para muitos dos pacientes com artrite, a toma dos AINEs reduz de forma eficaz a dor e o inchaço nas articulações e ajuda-os a ter uma qualidade de vida razoável. Este estudo mostra como calcular os eventuais riscos de AINEs, o que poderá ajudar os médicos e pacientes, quando há discussão de opções terapêuticas”, referiu o investigador.
 

O diretor do Arthritis Research, no Reino Unido, Alan Silman, acrescentou, “os AINEs são uma tábua de salvação para muitos milhões de indivíduos com artrite, e, quando utilizados de forma adequada podem ser extremamente eficazes no alívio da dor. No entanto, devido aos seus potenciais efeitos secundários, nomeadamente no aumento do risco de complicações cardiovasculares existe uma necessidade urgente de encontrar alternativas que sejam tão eficazes, mas mais seguras”.
 

Para pacientes com artrite, não fumar, adotar uma dieta saudável e ter a pressão arterial vigiada regularmente são fatores mais importantes na redução do risco de um enfarte agudo do miocárdio. Aconselhamos as pessoas com artrite que estão a tomar AINESs a não ficarem excessivamente preocupadas com estas últimas descobertas, devendo se aconselhar junto do seu médico”, referiu ainda Alan Silman.

 

“Com base nestes resultados, aconselhamos as pessoas a tomar a menor dose eficaz destes fármacos durante o menor tempo possível. No entanto, as pessoas que tomam analgésicos raramente não precisam de ficar excessivamente preocupadas. Aquelas que precisam de analgésicos numa base regular devem falar com o seu médico para determinar qual o melhor tipo de tratamento”, conclui um outra autora do estudo, Shannon Amoils.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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