Analgésico na gravidez pode afectar vida sexual do filho

Compostos como a aspirina bloqueiam uma substância química fundamental

02 junho 2004
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  Os filhos de mulheres que tomaram analgésicos durante a gravidez podem ter um impulso sexual menos intenso quando adultos. Um estudo americano constatou que compostos como a aspirina bloqueiam uma substância química fundamental para o comportamento sexual de ratos machos.Investigadores da Universidade de Maryland, EUA, dizem que, para o caso do mesmo ocorrer com seres humanos, as mulheres grávidas deveriam evitar analgésicos comuns quando possível. A descoberta foi publicada na revista Nature Neuroscience. A equipa liderada por Margaret McCarthy estudou como a hormona masculina testosterona durante a gestação. Um dos passos no processo envolve uma substância química chamada prostaglandina-E2. Sabe-se que os medicamentos como a aspirina bloqueiam a síntese da prostaglandina-E2.Os investigadores descobriram que os ratos machos expostos durante a gestação ou como recém-nascidos a drogas que bloqueiam a produção da prostaglandina-E2 são menos activos sexualmente na vida adulta. A estrutura do cérebro desses ratos também se parece mais com a dos cérebros das fêmeas.Quando os ratos recém-nascidos do sexo feminino recebem prostaglandina-E2, demonstram um comportamento sexual com características masculinas quando adultos e os seus cérebros adoptam uma aparência mais masculina.Os investigadores advertem, no entanto, que o impacto potencial da exposição de seres humanos em formação a tais drogas ainda não é conhecido. Mas adiantam que, potencialmente, o mesmo pode ocorrer em seres humanos.Pequenas doses de aspirina são dadas a mulheres grávidas para impedir pré-eclampsia e uma outra droga, chamada indometacina, que também bloqueia a prostaglandina-E2, é dada a bebés prematuros com problemas cardíacos.Mas os cientistas da Universidade de Michigan disseram que «estes resultados inesperados reforçam a noção de que mulheres grávidas devem tentar evitar a ingestão de qualquer medicamento». Na Grã-Bretanha, está em andamento um estudo para verificar se tais medicamentos têm um efeito sobre o comportamento das crianças em termos de género.Melissa Hines e sua equipa da Universidade City, em Londres, estão a acompanhar cerca de 12 mil bebés nascidos em 1991/92. E já constataram que os níveis de exposição a testosterona no útero têm um impacto no comportamento do sexo feminino na vida adulta.As raparigas expostas a níveis altos de testosterona quando fetos tinham maior probabilidade de adoptar comportamento típico de rapazes, por exemplo. Para Hines, no entanto, ainda é muito cedo para dizer se as drogas que bloqueavam a prostaglandina-E2 afectaram o comportamento sexual masculino.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalista MNI-Médicos Na Internet 

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