Amor pelos carros

Estudo explica como os fãs de automóveis reconhecem as grandes paixões

10 março 2003
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Desde quando os carros foram inventados, as mulheres sempre se queixaram de que os seus maridos conseguem reconhecer os novos modelos mais rapidamente do que identificariam as suas amigas ou até as próprias sogras. Agora, um estudo publicado nos Estados Unidos pode ajudar a explicar o motivo.
 

 

Investigadores da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, analisaram as expressões faciais de alguns amantes de automóveis quando estes admiravam as suas «máquinas» e descobriram que os seus cérebros reagem como se estivessem a olhar para um rosto humano.
 

 

No artigo que vai sair na edição de Abril da revista Nature Neuroscience, a psicóloga Isabel Gauthier, investigadora da Vanderbilt University diz que, quando lhes são apresentadas fotografias de carros e de rostos, conjuntamente, os «amantes» dos veículos de quatro rodas tendem a apresentar uma espécie de «congestionamento» na parte do cérebro normalmente usada para identificar as faces.
 

 

Segundo os cientistas, este facto reflecte a indecisão do cérebro na altura de classificar o que está a ser observado.
 

 

 

No estudo, os investigadores analisaram 40 homens, dos quais 20 eram fanáticos por carros. Aos voluntários foi-lhes pedido que olhassem para as imagens alternadas de carros e rostos e que comparassem cada carro com o carro anterior, bem como cada rosto com o rosto anterior.
 

 

Os homens com maiores conhecimentos sobre o mundo automobilístico reconheciam os veículos de uma forma holística, ou seja, sintética e total, mas não conseguiam fazer o mesmo com os rostos.
 

 

Já os homens com poucos conhecimentos sobre carros usaram uma abordagem comparativa, de identificação por partes, mais lenta, mas não tiveram problemas com os rostos.
 

 

E a actividade de reconhecimento de carros poderia ser traçada até o hemisfério direito do cérebro – onde também se encontra a área de reconhecimento facial.
 

 

Os resultados do teste desafiam o ponto de vista amplamente aceite de que há uma única parte do cérebro altamente especializada na identificação de faces.
 

 

Para a autora do estudo, o mais provável é que exista um processador «multipropósito» – que pode ser treinado para identificar outros tipos de objectos «holisticamente». Em declarações à BBC, Isabel Gauthier explicou que, neste estudo, foi demostrado que o processo de identificação holística acontece muito no início da sequência de processamento visual e que pelo menos alguns dos circuitos neuronais têm que estar envolvidos na identificação de rostos e de outros objectos de muito interesse.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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