Amor maternal e romântico é cego

As mesmas zonas do cérebro são activas e desactivadas

31 maio 2004
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O amor pode realmente ser cego, ainda para mais quando se trata de um recém-nascido ou pelo seu amor. Por mais estranho que lhe pareça, esta é precisamente a conclusão de um estudo britânico realizado na University College London. Uma série de tomografias mostraram que os cérebros das mães de recém-nascidos se incendeiam da mesma maneira quando olham para os seus bebés como quando observam a fotografia dos seus amantes. A região activada também tem o seu interesse, dado que se trata de uma área conhecida como sistema de recompensa. Algumas partes do cérebro também se desactivam quando se observava um amante, marido ou filho, e esse área é a responsável pelo sistema que intervém na criação de juízos negativos.Num artigo publicado no jornal NeuroImage, os cientistas afirmaram que as suas descobertas sugerem que, a um certo grau, o amor é realmente cego.«Tanto o amor maternal como o romântico são experiências muito gratificantes que estão vinculadas com a perpetuação da espécie e, em consequência, têm uma função biológica extremamente ligada e de crucial importância evolucionista», disse Andreas Bartels, líder da investigação do Wellcome Department of Imaging Neuroscience de UCL. Para cegar a estas conclusões, a equipa visualizou os cérebros de 20 mães jovens usando para tal imagens de ressonância magnética funcional, que pode mostrar a actividade cerebral enquanto esta ocorre.  A equipa também já tinha recolhido a resposta cerebral das pessoas quando viam as imagens dos seus amantes.  Além das fotos dos seus bebés, as mães também viram imagens de outras crianças e adultos seus amigos, para que os cientistas se assegurassem que o sentimento de familiaridade e amizade não interferisse. Tanto as mães – que viam os seus bebés -, como as pessoas – que observavam os seus amores – responderam com um padrão semelhante. Ou seja, as áreas activadas eram os neurónios conhecidos pela sua sensibilidade à oxitocina, um químico portador de mensagens vinculado com as sensações como a  euforia, o prazer e o amor. Isto explica, dizem os cientistas, «o poder do amor para motivar e alegrar».  Enquanto isso, as áreas desactivadas incluíam os juízos negativos e os pensamentos críticos. Deste modo, explicam os investigadores: «o carinho humano utiliza um mecanismo simétrico».Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalista MNI-Médicos Na Internet

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