Amor dentro de água

Cientistas portugueses descobrem forma de sedução inédita em peixes

12 abril 2002
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Alguns homens oferecem flores, outros chocolates, para seduzir o sexo oposto, mas uma equipa de investigadores portugueses descobriu uma espécie de peixes que desenvolveu uma glândula anal para atrair as fêmeas.
 

 

Até agora, este método pouco usual de sedução nunca tinha sido detectado em peixes, cabendo o mérito a uma equipa de cinco cientistas do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.
 

 

"A grande inovação do nosso trabalho é que, pela primeira vez, detectámos em peixes um órgão externo aparentemente especializado na produção de feromonas", explicou à Agência Lusa Eduardo Barata, 36 anos, que coordenou o trabalho.
 

 

O investigador apresentou quinta-feira os resultados do seu trabalho em Swansea (País de Gales), na Sociedade Experimental de Biologia, uma das associações científicas com mais peso corporativo e mediático do Reino Unido.
 

 

Peixe-gato
 

 

Os investigadores fizeram esta descoberta numa espécie de peixe, o "salaria pavo", que tem a designação corrente de peixe- gato (em virtude de uma crista que possui).
 

 

Segundo Eduardo Barata, trata-se de um peixe relativamente pequeno (os machos atingem no máximo 12 centímetros), sem escamas, e que habita no fundo do mar em toda a costa mediterrânica, sobretudo em zonas com fundo rochoso.
 

 

No Algarve, encontra-se sobretudo na Ria Formosa, onde os peixes aproveitam os tijolos utilizados pelos pescadores para delimitar as zonas de apanha da amêijoa para se alojarem e construírem os seus ninhos.
 

 

Glândula anal
 

 

Durante a época de reprodução, os machos desenvolvem uma glândula anal, que consiste numa diferenciação da epiderme dos dois primeiros raios da barbatana por baixo do abdómen.
 

 

"Sob efeito das hormonas sexuais, os dois primeiros raios diferenciam-se num tecido esponjoso", explicou Eduardo Barata.
 

 

A glândula, visível a olho nu, regride no Inverno e só volta a desenvolver-se na época de reprodução seguinte.
 

 

Ao realizarem testes em aquário, os investigadores verificaram que as fêmeas eram atraídas pelos peixes com esta glândula e, em particular, por aqueles onde este órgão era maior.
 

 

"Ou seja, ficou inequivocamente demonstrado que esta glândula produz substâncias atractivas para as fêmeas", sublinhou.
 

 

A investigação, que se iniciou em 1999 com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), deverá agora prosseguir para precisar qual a identidade química dessas substâncias.
 

 

Fonte: Lusa
 

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