Amigos são geneticamente semelhantes

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

17 julho 2014
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Quase parece que alguns amigos fazem parte da família, isto pode não estar assim tão longe da verdade uma vez que os amigos são geneticamente semelhantes, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

“Em média, somos geneticamente semelhantes aos nossos amigos. Temos mais ADN em comum com as pessoas que escolhermos como amigos do que com estranhos”, revelou, em comunicado de imprensa, James Fowler.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, analisou mais de 1,5 milhões de marcadores de variação genética. No total, os investigadores contaram com a participação de 1.932 indivíduos, tendo comparado pares de amigos que não tinham qualquer ligação familiar, com pares de indivíduos desconhecidos.
 

Em média, os investigadores verificaram que os amigos são tão semelhantes entre si como os primos em quarto grau, partilhando cerca de 1% dos genes. “Um por cento não parece muito, mas para os geneticistas é um número significativo. A maioria das pessoas nem sabe quem são os seus primos em quarto grau”, revelou, em comunicado de imprensa, Nicholas Christakis.
 

Os investigadores verificaram que a semelhança entre amigos é maior em genes associados ao sentido de olfato, em oposição aos associados à imunidade. Este achado relativamente à imunidade tem vantagens do ponto de vista evolutivo, uma vez que ter contacto com pessoas capazes de se proteger contra diferentes patogénios reduz a disseminação de doenças.
 

Relativamente ao facto de os amigos partilharem genes olfativos, os investigadores referem que talvez o olfato atraia as pessoas para ambientes similares e conduzam consequentemente ao maior contacto entre as pessoas.
 

O resultado mais intrigante do estudo prendeu-se com o facto de os genes mais semelhantes entre amigos parecerem ser aqueles que evoluíram mais rapidamente. Na opinião dos investigadores, isto pode ajudar a explicar por que motivo a evolução humana parece ter acelerado nos últimos 30.0000 anos e sugere que o ambiente social é uma força evolutiva.
 

“O estudo também apoia a visão de que os seres humanos são metagenómicos, não apenas no que diz respeito aos microrganismos que albergam no organismo, mas também relativamente às pessoas que os rodeiam. O nosso estado de saúde parece não depender apenas da nossa constituição genética, mas também das constituições genéticas dos nossos amigos”, conclui Nicholas Christakis.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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