Amigos escolhem-se pelas semelhanças físicas...

...mas cientistas alertam para não existir envolvimento sexual

21 dezembro 2004
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  Contrariando o ditado popular que diz que «os opostos se atraem», cientistas canadianos descobriram que as pessoas tendem a escolher amigos que sejam fisicamente parecidos com elas. Mas, segundo o estudo publicado na revista científica Journal of the Royal Society, a semelhança facial não é um factor importante quando se procura um parceiro sexual. Os investigadores mostraram aos voluntários rostos manipulados por computador para parecerem semelhantes aos rostos das pessoas em avaliação. Os homens gostaram das caras de outros homens que se pareciam com os deles, e as mulheres também apreciavam mais os rostos de mulheres idênticas. Mas a semelhança facial, no entanto, não influenciou a atracção entre os sexos opostos. A psicóloga Lisa DeBruine, líder do estudo realizado na Universidade McMaster, no Canadá, sugeriu uma explicação: «os humanos podem ter evoluído a ponto de preferir a companhia de pessoas que nos lembrem os nossos familiares, mas têm um bloqueio biológico para evitar o incesto». DeBruine acrescentou ainda que estudos anteriores já tinham mostrado a propensão das pessoas a confiar em quem é mais parecido fisicamente com elas. Numa das suas experiências anteriores, a investigadora observou que os voluntários _ que jogavam um ludo de investimento financeiro na Internet _ tendiam a confiar mais no seu parceiro (cuja fotografia era vista na hora do jogo) se a fotografia tivesse sido modificada digitalmente para ficar mais parecida com eles. A psicóloga acredita que, possivelmente, evoluímos para depositar mais confiança e ter maior afeição por aqueles que parecem estar, de alguma forma, relacionados connosco, porque há probabilidades de termos mais genes em comum. O professor e investigador David Perry, do Laboratório de Percepção da Universidade de Saint Andrews, disse à BBC ser provável que as pessoas mais parecidas connosco também partilhem os nossos genes, e faz sentido que ao ajudarmos esses indivíduos, na prática, estamos a ajudar os nossos próprios genes. Mas refere, no entanto, ser importante que os indivíduos não sintam instintivamente atracção sexual por pessoas parecidas com eles, já que a reprodução entre pessoas com genes semelhantes poderia aumentar significativamente o risco de doenças congénitas. E lançou um conselho: «Devemos confiar nas pessoas que dividem os nossos genes, mantendo amizades, mas não dormir com elas».Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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