Amianto prolifera em edifícios

Substância causa cancro, alerta estudo

03 fevereiro 2004
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O alerta chegou num estudo do Guy''s Hospital, na Grã-Bretanha: os países da Europa e da América do Norte podem estar à beira de uma «epidemia» de um tipo de cancro provocado pelo contacto com o amianto. O estudo, publicado recentemente no British Medical Journal, diz que 100 mil pessoas vão morrer de mesotelioma. Este tipo de cancro pode levar até 50 anos para se manifestar e é provocado pela inalação de partículas de amianto.A doença mata cerca de 1,8 mil pessoas por ano na Grã-Bretanha. No entanto, os cientistas acreditam que esse número vai disparar nos próximos anos.Milhares de pessoas foram expostas às fibras de amianto – muito usadas como isolante térmico em construções, antes de se descobrir a ameaça à saúde que elas representam – nas décadas de 1950, 60 e 70. Operários, canalizadores e trabalhadores da construção naval eram, na altura, os mais expostos a esta substância. No entanto, acredita-se que professores e enfermeiros também corram muitos riscos de desenvolver mesotelioma, dado que o amianto foi muito usado na construção de escolas e hospitais. Mais: mulheres e filhas que lavaram regularmente os macacões dos operários que lidavam com amianto também estão no grupo de risco.As restrições no uso de amianto foram colocadas em prática em 1983. Mas, como a doença demora a manifestar-se, os médicos acreditam que as taxas de incidência de mesotelioma ainda devem atingir o seu pico.Para Tom Treasure, do Guy''s Hospital, em Londres, calcula-se que o pico da epidemia seja atingido entre 2015 e 2020. «Quando a taxa de mortalidade deve chegar a dois mil por ano, só na Grã-Bretanha», apontou o cientista, acrescentando que outros países europeus e a Austrália correm riscos semelhantes.No entanto, as taxas da doença nos Estados Unidos, que introduziram restrições ao uso de amianto muito antes, já teriam atingido o seu pico. Mas Treasure lança o alerta: «Muitos países estão a assistir à maré crescente de uma epidemia e todos os médicos precisam saber como reconhecer e diagnosticar essa doença, e que tipos de tratamento são disponíveis».Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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