Ameaça de uma pandemia da gripe continua real

Alerta da Organização Mundial de Saúde

21 novembro 2016
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A ameaça de uma pandemia da gripe continua real, apesar de nos últimos dez anos terem sido alcançados muitos progressos na cobertura e na capacidade de produção de vacinas contra a gripe.
 
“Estamos atualmente melhor preparados para uma pandemia [surto de uma doença com distribuição geográfica muito alargada] de gripe do que há 10 anos, mas não devemos perder o impulso e ainda enfrentamos a ameaça de uma pandemia em 2016”, referiu numa conferência de imprensa, Marie-Paule Kieny, a subdiretora-geral de Sistemas de Saúde e Inovação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
“Ninguém pode prever” como será a próxima época de gripe, referiu a agência das Nações Unidas.
 
De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, a OMS lançou em 2006 o Plano Global de Ação para aumentar o uso de vacinas sazonais com base em dados, no aumento da capacidade de produção e na promoção da investigação e do desenvolvimento.
 
Na altura, a capacidade de produção de vacinas estava centrada sobretudo em países de alto rendimento. Marie-Paule Kieny refere que atualmente essa capacidade abrange 14 países, a maioria de alto-médio rendimento, mas também existem nações de baixo rendimento que fazem esforços para fabricar as próprias vacinas.
 
Em 2006, só 74 países tinham uma política nacional de imunização contra a gripe. Dez anos depois, o número cresceu para 115, incluindo nações de médio-baixo rendimento e uma de baixo rendimento.
 
Foi também registado um aumento na distribuição de vacinas sazonais em algumas regiões do mundo, em particular na América. No entanto, estes avanços contrastam com os recuos ou com as diminuições registadas em outras regiões do globo, como a Europa, onde a resistência às vacinas é muito alta”.
 
Segundo dados divulgados recentemente, a capacidade de produção global de vacinas contra a gripe pandémica registou melhorias: passaram de cerca de 1.500 milhões de doses em 2006 para cerca de 6.200 milhões de doses em 2015. Ainda assim estes valores são insuficientes para cumprir o objetivo do Plano de Ação, que previa imunizar 70% da população com duas doses (dez mil milhões de doses).
 
Outro dos desafios apontados pela OMS é a necessidade de apresentar mais dados para projetar estratégias sazonais de vacinação, especialmente em grupos como as crianças e as grávidas e em países de médio-baixo rendimento.
 
Marie-Paule Kieny referiu ainda que também será necessário intensificar a investigação sobre a resistência às vacinas para "entender porque as pessoas não estão a ser vacinadas e porque (alguns) médicos não recomendam as vacinas sazonais".
 
Wenqing Zhang, do Departamento de Doenças Pandémicas e Epidémicas da OMS, concluiu que como o vírus está em constante evolução, a ameaça de uma pandemia é real, pode ser amanhã ou daqui a cinco anos, e pode ser suave como em 2009, com a gripe A H1N1, ou muito grave, como a gripe espanhola em 1918.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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