Amamentação pode reduzir risco de cancro da mama difícil de tratar

Estudo realizado pela Columbia University

23 outubro 2012
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Um estudo conduzido recentemente sugere que a amamentação poderá reduzir o risco de um tipo de cancro da mama de muito difícil tratamento nas mulheres.
 

Conduzido pela Columbia University, EUA, o estudo apurou que o cancro da mama com recetores de estrogénios negativos e recetores de progesterona negativos (ER/PR) apresentava uma menor incidência em mulheres que amamentaram.
 

Este tipo de cancro é caracterizado por tumores com células que não transportam à sua superfície uma proteína que se liga às hormonas estrogénio ou progesterona. Isto significa que as pacientes não podem ser tratadas com as terapias hormonais comuns.
 

O estudo envolveu 4000 mulheres com cancro da mama e 3000 sem cancro. Os investigadores procuraram descobrir a ligação entre o cancro da mama com ER/PR  negativos e fatores de risco reprodutivos nas mulheres, tal como a número de filhos, se os amamentaram e toma de contracetivos.
 

Foi apurado que as mulheres que tinham tido três ou mais filhos, mas não tinham amamentado apresentavam um risco 1,5 vezes maior de desenvolverem este tipo de cancro. No entanto, não se verificou um aumento deste risco nas mulheres que tinham amamentado os filhos.
 

Meghan Work, aluna de doutoramento no departamento de epidemiologia da Mailman School of Public Health da Columbia University e co-autora do estudo, comentou, relativamente a estes resultados, que “isto é de especial importância já que a amamentação é um fator suscetível de ser alterado e pode ser promovida e apoiada pelas políticas de saúde”.
 

Foi igualmente determinado que a utilização de contracetivos orais produzidos após 1975 não estava associada a um maior risco de cancro da mama com ER/PR  negativos.
 

“Obviamente, as mamas são para servirem como órgão que produz leite para um recém-nascido”, explica a Dra. Stephanie Bernik, chefe de cirurgia oncológica no Lenox Hill Hopsital, em Nova Iorque, EUA. “As mamas estão num estado imaturo até se ter a primeira gravidez. Teoricamente, se forem deixadas num estado de imaturidade, as mamas não se desenvolvem tal como a natureza o fez. Esta alteração no que a natureza supõe poderá ser a razão pela qual as mulheres que não amamentam apresentam números mais elevados de incidência de cancro”, continua.
 

Segundo Alyssa Gillego do departamento de cirurgia oncológica da mama no Beth Israel Compreensive Cancer Center, estes factos devem, no entanto, ser interpretados com cuidado, já que este é um estudo observacional e não se estabeleceu uma relação causal entre a amamentação e uma menor incidência deste tipo de cancro.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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