Amamentação materna ajuda na transição para os alimentos sólidos

Estudo publicado na revista “Frontiers in Cellular and Infection Microbiology”

10 fevereiro 2015
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A dieta do bebé nos primeiros meses de vida tem uma profunda influência na composição, diversidade e estabilidade do microbioma intestinal. De acordo com o estudo publicado no “Frontiers in Cellular and Infection Microbiology” estes fatores, por sua vez, influenciam a capacidade do bebé de fazer a transição do leite para os alimentos sólidos e podem também ter efeitos a longo prazo na saúde.

 

Na opinião dos investigadores da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, estes achados contribuem para a crescente tomada de consciência de que o microbioma intestinal desempenha um papel importante na digestão de alimentos e no combate a patogénios, entre outras funções.

 

Neste estudo, os investigadores recolheram amostras de fezes e informação sobre as dietas e saúde de nove bebés, entre as duas semanas de vida e os 14 meses. Através da utilização de técnicas de sequenciação genómica os investigadores foram capazes de identificar os tipos e funções das bactérias presentes no microbioma intestinal das crianças.

 

O estudo apurou que nos primeiros meses de vida existiam diferenças claras entre os microbiomas dos bebés que tinham sido exclusivamente alimentados com leite materno, comparativamente com aqueles que eram alimentados com leite de fórmula e leite materno.

 

Contudo, o que surpreendeu os investigadores foram as diferenças genéticas drásticas nas amostras de fezes retiradas após os bebés terem iniciado a alimentação sólida. Foram descobertas quantidades diferentes em cerca de 20 enzimas quando compararam os bebés alimentados exclusivamente com leite materno e aqueles que tinham sido alimentados com leite materno e alimentos sólidos. Estes resultados indicam que algumas novas espécies de bactérias entraram em cena para ajudar a processar novos tipos de alimentos.

 

Os investigadores verificaram que as amostras dos bebés alimentados com leite de fórmula e materno e que posteriormente introduziram os sólidos na alimentação apresentavam cerca de 230 enzimas, o que indica uma alteração bem mais profunda na composição microbiana.

 

O estudo apurou ainda que os microbiomas dos bebés exclusivamente alimentados com leite materno eram menos diversificados e dominados por uma bactéria considerada benéfica para a digestão, o Bifidobacterium. Por outro lado, os bebés alimentados com uma mistura de leite materno e de fórmula apresentavam uma proporção baixa dessa bactéria.

 

O estudo sugere que a composição do microbioma pode afetar a capacidade de os bebés digerirem os alimentos e potencialmente influenciar a saúde a longo prazo. Apesar de a investigação em torno do microbioma estar nos primeiros estádios, acredita-se que os microrganismos intestinais desempenhem um papel importante na obesidade, alergias e problemas gastrointestinais.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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