Amamentação associada a um melhor desenvolvimento cerebral

Estudo publicado no “The Journal of Pediatrics”

02 agosto 2016
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Os bebés prematuros alimentados com mais leite materno nos primeiros 28 dias de vida apresentam volumes maiores de determinadas zonas cerebrais, um melhor quociente de inteligência (QI), memória de trabalho e função motora, atesta um estudo publicado no “The Journal of Pediatrics”.
 
Estes achados apoiam as atuais recomendações para a utilização do leite materno na alimentação dos bebés prematuros durante a hospitalização nos cuidados intensivos neonatais. 
 
Mandy Brown Belfort, líder do estudo, refere que isto não é apenas importante para as mães, mas também para os hospitais, funcionários e familiares, para que estes possam fornecer o apoio necessário numa altura em que as mães estão sob stress e a esforçarem-se para ter leite para os filhos.
 
Para o estudo, os investigadores do Hospital Brigham and Women's, nos EUA, acompanharam 180 bebés nascidos antes das 30 semanas de gestação. Foi determinado o número de dias que os bebés receberam leite materno desde o nascimento até aos 28 dias de vida. Apenas foram contabilizados os dias em que a ingestão de leite materno correspondia a mais de 50% da ingestão nutricional do bebé. 
 
Os investigadores também avaliaram os volumes de determinadas regiões do cérebro através da realização de ressonâncias magnéticas até aos sete anos de idade. As crianças foram ainda submetidas, aos sete anos, a testes cognitivos, que exploraram o QI, capacidade de leitura, atenção, memória de trabalho, linguagem e perceção visual, bem como a testes motores.
 
O estudo apurou que os bebés que tinham ingerido predominantemente leite materno durante mais dias apresentavam, à idade correspondente ao termo da gravidez e aos sete anos, um maior volume da substância cinzenta nuclear profunda, uma área importante no processamento e transmissão de sinais neuronais para outras partes do cérebro. Estes também tinham o QI mais elevado, apresentando também um melhor desempenho nos testes de avaliação de matemática, memória de trabalho e funções motoras. 
 
No geral, a ingestão de mais leite materno foi relacionada com melhores resultados, incluindo maiores volumes cerebrais de determinadas regiões à idade equivalente ao termo da gravidez, e com melhores resultados cognitivos aos sete anos.
 
Mandy Brown Belfort refere que muitas mães de bebés prematuros têm dificuldade em fornecer leite materno aos filhos. Como tal, é necessário garantir que estas mulheres têm os melhores sistemas de apoio possíveis à sua disposição. 
 
“É importante salientar que há muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de um bebé, o leite materno é apenas um", acrescenta a investigadora.
 
Os autores alertam para a necessidade de realizarem estudos mais aprofundados e para algumas limitações do estudo atual, nomeadamente o facto de se tratar de um estudo observacional.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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