Amamentação associada a menor risco de leucemia nas crianças

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

04 junho 2015
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As crianças que são amamentadas ao longo de seis ou mais meses apresentam um menor risco de desenvolverem leucemia comparativamente com aquelas que não são amamentadas ou que o são ao longo de períodos de tempo mais curtos, defende um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 

Apesar de a leucemia ser o cancro mais comum na infância, representando cerca de 30% de todos os cancros nesta faixa etária, pouco se sabe sobre a causa deste tipo de cancro. Os fatores de risco para a leucemia incluem síndrome de Down, exposição ao vírus Epstein-Barr ou radiação ionizante. Contudo, a maioria das crianças diagnosticadas com leucemia não apresentam este tipo de fatores de risco.
 

Neste estudo os investigadores da Universidade de Haifa, em Israel, fizeram uma revisão bibliográfica de 18 artigos que se focaram na associação entre a amamentação e a leucemia infantil.
 

Os investigadores constataram que as crianças que eram amamentadas ao longo de seis ou mais meses apresentavam um risco 19% menor de desenvolver leucemia, comparativamente com aquelas que não eram amamentadas ou que o eram ao longo de um período mais curto.
 

O estudo apurou ainda que as crianças que eram amamentadas durante qualquer período de tempo tinham um risco 11% menor de desenvolver leucemia, comparativamente com aquelas que nunca tinham sido amamentadas.
 

Os autores sugerem vários mecanismos biológicos que poderão explicar os efeitos benéficos do leite materno na redução do risco de leucemia, como o facto do leite materno conter vários componentes biologicamente ativos e mecanismos de defesa anti-inflamatórios que influenciam o desenvolvimento do sistema imunológico da criança. Estes mecanismos podem incluir a presença de um microbioma intestinal mais favorável.
 

Os investigadores referem que o leite materno é um alimento completo capaz de fornecer todas as necessidades nutricionais dos bebés. Atualmente a Academia Americana de Pediatria e a Organização Mundial de Saúde recomendam que os bebés sejam exclusivamente alimentados com leite materno até aos seis meses, de forma a assegurar um crescimento e desenvolvimento saudáveis. Após os primeiros seis meses, recomenda-se que os bebés recebam alimentos nutritivos e complementares seguros, mas a amamentação pode continuar até aos dois anos ou mais tarde.
 

“Uma vez que principal objetivo da saúde pública é a prevenção da morbidade, os profissionais de saúde devem estar informados sobre os potenciais benefícios para a saúde da amamentação e fornecer ferramentas para ajudar as mães com a amamentação”, revelaram, em comunicado de imprensa, os autores do estudo.
 

Os investigadores defendem que os benefícios para a saúde da amamentação também devem ser abertamente comunicados ao público em geral, não apenas às mães, para que a amamentação seja socialmente mais aceite e facilitada. Para além disso, ressalvam serem necessários estudos com mais qualidade para clarificar os mecanismos que estão na base da associação entre a amamentação e uma menor morbilidade infantil devido à leucemia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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