Alzheimer poderá ser um problema de todo o organismo e não apenas do cérebro
03 novembro 2017
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu que a doença de Alzheimer pode ser desencadeada noutras partes do organismo que não o cérebro.
 
Num estudo conduzido por investigadores chineses e da Univerdade de British Columbia, Canadá, o achado oferece o potencial de se desenvolver futuros tratamentos farmacológicos que possam travar ou desacelerar o progresso da doença sem atuarem diretamente no cérebro, o qual é um alvo sensível, complexo e difícil.
 
Os investigadores consideram que os potenciais futuros fármacos poderão antes atuar sobre o fígado ou rins, removendo assim as proteínas tóxicas do sangue antes que este chegue ao cérebro.
 
Para o estudo, os investigadores liderados por Weihong Song e Yan-Jiang Wang docentes da Terceira Universidade Médica Militar em Chongqing, China, usaram uma técnica conhecida como parabiose que consiste em unir dois espécimes através de uma intervenção cirúrgica, de forma a que usem o mesmo circuito sanguíneo durante vários meses.
 
Os investigadores uniram ratinhos normais, que não desenvolvem naturalmente a doença de Alzheimer, a ratinhos geneticamente modificados com um gene humano mutante que produz níveis elevados da proteína beta-amiloide. 
 
Após um ano, foi observado que os ratinhos normais tinham contraído a doença de Alzheimer. Weihong Song explicou que a beta-amiloide tinha passado dos ratinhos geneticamente modificados para o cérebro dos ratinhos normais, tendo-se acumulado e produzido danos.
 
Os ratinhos normais desenvolveram placas de beta-amiloide, degeneração das células do cérebro, inflamação e micro-hemorragias, sinais típicos daquela doença neurológica. 
 
A capacidade de transmissão dos sinais elétricos envolvidos na memória e aprendizagem tinha também sido afetada, mesmo em ratinhos normais que tinham sido unidos a ratinhos geneticamente modificados durante apenas quatro meses.
 
A proteína beta-amiloide é produzida não só no cérebro, mas também nas plaquetas, vasos sanguíneos e músculos e a sua proteína precursora encontra-se em muitos outros órgãos. Não se sabia se a beta-amiloide de fora do cérebro poderia contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Este estudo demonstrou que sim, que é possível.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar