Alzheimer poderá estar associada a células do cérebro disfuncionais

Estudo publicado na revista “Nature”

15 fevereiro 2017
  |  Partilhar:
Um estudo conduzido por uma equipa de investigadores indicou que as doenças neurodegenerativas podem estar associadas a células do cérebro disfuncionais na eliminação de matéria tóxica, tornando outras células próximas doentes.
 
Conduzido pela Universidade Rutgers, EUA, este estudo poderá, segundo a equipa, ter grandes repercussões em doenças como a de Alzheimer e Parkinson nos seres humanaos, podendo constituir a forma como as mesmas se desenvolvem no cérebro.
 
Monica Driscoll, docente de biologia molecular e bioquímica na Faculdade de Artes e Ciências, e a sua equipa descobriram que apesar de os neurónios saudáveis deverem poder eliminar as proteínas tóxicas e estruturas celulares danificadas das células do cérebro sem causarem problemas, na verdade isto nem sempre acontece.
 
Para o estudo, a equipa utilizou o nematódeo transparente, conhecido como C. elegans, que possui uma forma, função e composição genética semelhante à dos humanos. Foi apurado que estas lombrigas, que têm uma esperança de vida de cerca de três semanas, possuíam um mecanismo de eliminação do lixo e punham essas proteínas tóxicas fora das células também.
 
Este achado foi observado em algumas das lombrigas através de um pequeno acumulado que se formava fora dos neurónios, como se fosse uma nuvem, e ali permanecia.
 
Os nematódeos tinham sido modificados de forma a produzirem proteínas de doenças humanas associadas à doença de Alzheimer e de Huntington. Foi observado que estes nematódeos eliminavam mais desperdícios com matéria tóxica degenerativa. Algumas células próximas degradavam alguma daquela matéria, mas no entanto foi observado que outras mais distantes devoravam outras partes das proteínas tóxicas.
 
Segundo Monica Dirscoll, “o processo de eliminação desta matéria tóxica é normalmente algo positivo” mas “achamos que com as doença neurodegenerativas como a de Alzheimer e Parkinson, poderá dar-se uma má gestão deste processo tão importante que é suposto proteger os neurónios mas que, em vez disso, prejudica as células que estão próximas”. 
 
A investigadora afirmou que os cientistas conseguiram perceber a forma como este processo de eliminar substâncias celulares tóxicas funciona internamente na célula e compara-o ao processo de remoção do lixo doméstico. No entanto não sabiam de que forma as células eliminam externamente a matéria tóxica. 
 
“O que descobrimos pode ser comparado a uma pessoa que recolhe o lixo e o põe na rua para o dia da recolha”, explicou. “Selecionam e separam ativamente o que é lixo do que não é; no entanto, se o lixo não for recolhido, poderá causar sérios problemas”.
A equipa considera que este trabalho com os nematódeos poderá abrir portas a outras abordagens à neurodegeneração e a doenças como Parkinson e Alzheimer. 
  
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Image CAPTCHA
Enter the characters shown in the image.