Alzheimer: novo tratamento à base de anticorpos monoclonais mostra-se promissor

Estudo apresentado na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer

05 agosto 2015
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Anticorpos monoclonais desenvolvidos por investigadores norte-americanos poderão revelar-se eficazes no tratamento da doença de Alzheimer e de outras doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson.
 
Os anticorpos monoclonais são anticorpos produzidos por um único tipo de célula e que partilham a mesma atividade. Estes anticorpos podem ser purificados e colocados num organismo para produzir um determinado efeito.
 
Um estudo levado a cabo por uma equipa de cientistas liderada por Fernando Goni, professor de Neurologia, e Thomas Wisniewski, diretor do Centro para Neurologia Cognitiva da Universidade de Nova Iorque, nos EUA, sugere que anticorpos monoclonais concebidos para ter como alvo as proteínas mal enoveladas – que estão na origem de várias doenças neurodegenerativas – em estado solúvel e agregado poderão ser ideais para tratar esse tipo de doenças.
 
De acordo com Goni, “há algo de comum que subjaz ao mau enovelamento [de proteínas] em várias doenças neurodegenerativas” e é esse o alvo da investigação. 
 
Estudos anteriores dos dois cientistas haviam já demonstrado que atacar proteínas mal enoveladas quando estas começam a mudar de forma pode impedir a transformação destas em agregados que conduzem a placas e emaranhados, ou neutralizar a capacidade destas de se espalharem pelo cérebro, impedindo a progressão da doença neurológica. Os investigadores descobriram que os anticorpos monoclonais desenvolvidos reagiam a um estado intermédio (oligómero) das proteínas amiloide e Tau observadas na doença de Alzheimer, assim como às proteínas das doenças priónicas.
 
Neste novo estudo, os investigadores determinaram a especificidade que liga anticorpos monoclonais a formas oligoméricas de uma proteína denominada alfa-sinucleína, que se acumula e apresenta em neurónios com corpos de Lewy de pacientes com doença de Alzheimer.
 
Foram analisados três tipos de anticorpos monoclonais, cada um dos quais ligou-se a proteínas amiloide e Tau e reverteu danos semelhantes aos de Alzheimer produzidos em cérebros de animais. Os cientistas descobriram que os três anticorpos monoclonais se ligam às formas oligoméricas da proteína alfa-sinucleína. A investigação confirmou ainda a afinidade dos anticorpos por estas estruturas no interior dos neurónios através da utilização de amostras de tecido cerebral de doentes com Alzheimer e Parkinson.
 
“Temos vindo a desenvolver esta estratégia há vários anos e agora temos resultados”, disse Wisniewski.
 
No futuro, os cientistas esperam realizar testes em animais com o seu regime de anticorpos monoclonais, isoladamente e em combinação com outras abordagens, antes da realização de ensaios clínicos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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