Alzheimer: Lesões cerebrais aumentam risco de demência

Estudo norte-americano

22 julho 2011
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Um estudo realizado em veteranos de guerra levanta novas preocupações sobre os danos cerebrais ligeiros que milhares de soldados norte-americanos sofreram na sequência de explosões em conflitos porque é maior o risco de desenvolvimento de Alzheimer ou outra doença.

 

Lesões cerebrais traumáticas são um legado das guerras do Iraque e do Afeganistão e, apesar de o equipamento militar ajudar os militares a sobreviver às explosões, desconhecem-se os efeitos a longo prazo provocados por ferimentos na cabeça.

 

O estudo, apresentado no âmbito da Conferência Internacional da Associação Alzheimer, a decorrer em Paris, desafia a actual visão de que apenas as lesões cerebrais moderadas e graves tornam as pessoas predispostas para a demência.

 

“Mesmo uma concussão ou uma lesão cerebral ligeira pode colocar a pessoa em risco”, afirmou a neuropsiquiatra Laurie Ryan, que trabalhou no “Walter Reed Army Medical Center" e que supervisiona a atribuição de apoios no âmbito da Alzheimer à terceira idade nos Estados Unidos.

 

O estudo, conduzido por Kristine Yaffe, professora da Universidade da Califórnia e directora de uma clínica, em São Francisco, que se dedica ao tratamento de distúrbios ao nível da memória, foi financiado pelo Departamento norte-americano da Defesa e pelos institutos nacionais de saúde.

 

“É de longe o maior” estudo acerca de lesões cerebrais e risco de demência, afirmou a responsável, ao acrescentar que tal “nunca foi verificado especificamente em veteranos de guerra”.

 

Os investigadores analisaram registos médicos de 281.540 veteranos de guerra apoiados pelo Estado entre 1997 e 2000 e que tiveram pelo menos uma vez uma visita de acompanhamento entre 2001 e 2007.

 

As pessoas avaliadas no âmbito do estudo tinham pelo menos 55 anos, sendo que nenhuma estava diagnosticada com problemas de demência no início da pesquisa.

 

O grupo foi escolhido como amostra, uma vez que os problemas de demência se desenvolvem comummente já numa idade avançada e os investigadores precisavam de casos suficientes para poder fazer comparações entre quem tem e quem não tem danos cerebrais.
Os registos mostram que cerca de 5.000 veteranos sofreram traumatismos cerebrais, desde concussões a fracturas cranianas.

 

Os militares terão de ser acompanhados de perto nos próximos anos, devendo ser-lhes facultado tratamento para o stress pós-traumático, depressão e outras patologias que podem conduzir a problemas cognitivos, dizem os peritos.

 

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